Tal como se previra no último post antes de férias, Soares avançou para a pré-candidatura presidencial, esmagando Manuel Alegre que, antes dele, se fizera ao mesmo caminho.
É no mínimo divertido assistir às dores tomadas pela Direita relativamente ao destino de Alegre. Quem lhes adivinharia tanta preocupação pelos sentimentos feridos do poeta tantas vezes apodado por esta mesma Direita de "extremista radical do PS"? Mas compreende-se que o nervosismo vá aumentado à medida que o tempo passe e o Professor continue silencioso.
Já aqui foi dito que não é um bom augúrio de maturidade democrática a candidatura de Soares. Ainda que, atendendo às restantes pré-candidaturas (mais ou menos assumidas), seja aquela que, aparentemente, melhor servirá os interesses do país. O argumento da idade, por ser ridículo, nem merece comentário nestas linhas!
É, isso sim, de lamentar que o sistema democrático tenha sido incapaz de produzir, nas gerações posteriores à de Soares, políticos com condições de desempenhar o cargo com igual ou superior competência. Pensemos por instantes nas eleições presidenciais que se seguirão... Cavaco não arriscará uma terceira derrota eleitoral e, portanto, não será candidato; Soares, dificilmente terá condições físicas e psíquicas para se recandidatar. O "vazio" à esquerda poderá então ser preenchido por Vitorino, Alegre, Gama ou Guterres, mas... e à direita?
terça-feira, 23 de agosto de 2005
sexta-feira, 22 de julho de 2005
Presidenciais
Cavaco está a jogar bem. Lançar a candidatura após as autárquicas (será imediatamente após, ou nem por isso?) limita ainda mais a actuação da Esquerda. Vejamos:
(1) Se lançar um candidato antes das autárquicas, este será imolado na praça pública sem hipóteses de retaliar, por ausência de opositor assumido.
(2) Se lançar um candidato após as autárquicas (hipótese mais provável) terá dificuldades em "vender", em tão pouco tempo, um qualquer perfil mais adequado à função do que Manuel Alegre, mas menos mediatizado (como Carlos Monjardino).
Perante estes cenários, a terceira via consiste na (pouco) surpreendente recandidatura de Mário Soares que, estatisticamente, seria a mais favorável à Esquerda de acordo com todas as sondagens.
Esta "solução" é sintomática do estado da Nação. Apesar de tudo, a melhor opção para o futuro parece ser o regresso ao nosso passado.
(1) Se lançar um candidato antes das autárquicas, este será imolado na praça pública sem hipóteses de retaliar, por ausência de opositor assumido.
(2) Se lançar um candidato após as autárquicas (hipótese mais provável) terá dificuldades em "vender", em tão pouco tempo, um qualquer perfil mais adequado à função do que Manuel Alegre, mas menos mediatizado (como Carlos Monjardino).
Perante estes cenários, a terceira via consiste na (pouco) surpreendente recandidatura de Mário Soares que, estatisticamente, seria a mais favorável à Esquerda de acordo com todas as sondagens.
Esta "solução" é sintomática do estado da Nação. Apesar de tudo, a melhor opção para o futuro parece ser o regresso ao nosso passado.
sexta-feira, 8 de julho de 2005
Viver entre dois atentados
Temo bem que os próximos tempos continuem marcados pela "rotina do terror" com que fomos brindados neste início de milénio.
Não sabemos onde nem quando, mas sabemos que vai voltar a acontecer.
A nossa condição permanente passa a ser "entre dois atentados". Inaugurou-se uma nova escala cronológica, universal e vergonhosa!
Não sabemos onde nem quando, mas sabemos que vai voltar a acontecer.
A nossa condição permanente passa a ser "entre dois atentados". Inaugurou-se uma nova escala cronológica, universal e vergonhosa!
quarta-feira, 6 de julho de 2005
Entrevista à SIC
Entrevistadores muito "tenrinhos". Sócrates bem preparado.
Porém, uma falha monumental...
A comparação entre Fernando Gomes e Ferreira do Amaral consistiu em justificar uma má nomeação com outra ainda pior! No melhor pano...
Porém, uma falha monumental...
A comparação entre Fernando Gomes e Ferreira do Amaral consistiu em justificar uma má nomeação com outra ainda pior! No melhor pano...
terça-feira, 5 de julho de 2005
Cidade surpreendente
Acho que aquela esplanada é a dos Ingleses.
quarta-feira, 22 de junho de 2005
terça-feira, 21 de junho de 2005
Há anos assim...
Em Salvador da Bahia para fugir à invernia e em Budapaste para fugir à canícula.
terça-feira, 14 de junho de 2005
Passeio Alegre
Chegaram tarde à minha vida
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausica, mas só
no jardim do Passeio Alegre
comecei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos
vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,
para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis — assim nuas.
Eugénio de Andrade, "Rente ao Dizer" (1992)
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausica, mas só
no jardim do Passeio Alegre
comecei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos
vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,
para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis — assim nuas.
Eugénio de Andrade, "Rente ao Dizer" (1992)
segunda-feira, 13 de junho de 2005
Luto portuense
A cidade acordou sob um céu plúmbeo.
Imagino que no Passeio Alegre chovesse copiosamente e que as palmeiras estivessem curvadas pelo vento que sopra da barra.
O Eugénio morreu e este blog ficou irremediavelmente mais pobre.
Imagino que no Passeio Alegre chovesse copiosamente e que as palmeiras estivessem curvadas pelo vento que sopra da barra.
O Eugénio morreu e este blog ficou irremediavelmente mais pobre.
Numa mão a pena e na outra a espada
Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.
Como dizia pela manhã Eduardo Lourenço, foi o século XX que se veio despedir de nós esta noite.
Como dizia pela manhã Eduardo Lourenço, foi o século XX que se veio despedir de nós esta noite.
terça-feira, 7 de junho de 2005
Nestes últimos tempos
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Sophia de Mello Breyner Andresen, Julho de 1976
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Sophia de Mello Breyner Andresen, Julho de 1976
segunda-feira, 6 de junho de 2005
Mais uma vez!
A histeria generalizada relativamente à reforma dos políticos traduz aquilo que de mais tacanho subsiste na psique lusitana. A pequena inveja.
Aposto dobrado contra singelo que a imensa maioria dos jornalistas que acusam certos políticos de falta de ética seriam os primeiros a não recusar direitos legalmente adquiridos.
Estas manifestações degradantes aconteceram no passado recente com Fernando Pinto, acontecem agora com Alberto João Jardim e acontecerão no futuro. Triste.
Aposto dobrado contra singelo que a imensa maioria dos jornalistas que acusam certos políticos de falta de ética seriam os primeiros a não recusar direitos legalmente adquiridos.
Estas manifestações degradantes aconteceram no passado recente com Fernando Pinto, acontecem agora com Alberto João Jardim e acontecerão no futuro. Triste.
sexta-feira, 3 de junho de 2005
Este blog mantém a sua tradição premonitória (cf. post de 22/07/2004) .
Obras Públicas
Num contexto de contenção financeira e verbal generalizada, é delicioso assistir ao discurso de Mário Lino. Percebe-se a necessidade do ministro em declarar quase diariamente à comunicação social o arranque iminente de vultuosas obras públicas como a linha do TGV e o aeroporto da OTA. Por um lado, sossega o destroçado sector da construção e por outro exorciza os seus fantasmas pessoais... É que tanto ele como os seus colegas de Executivo sabem que nenhuma das duas obras arrancará nos tempos mais próximos.
N. do A.
A ausência de posts recentes fica-se a dever a uma intensificação do contributo pessoal do autor destas linhas para o aumento da competitividade das empresas portuguesas.
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