quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mudança de mote

Durante as recentes arrumações efectuadas neste blogue, decidiu-se também mudar o mote que o acompanhava desde a fundação (26.09.2003).

Assim, o niilista, pretensioso e francófono "Si le noir est symbole d'obscurité, ceux qui écrivent pour être clairs ont tort" foi substituído pelo metódico e aristotélico "A dúvida é o princípio da sabedoria".

Duvidemos pois.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Andamos a brincar aos Presidentes?





Retomando o post de 25.09 sobre o Trapezista de Belém, conclui-se agora que o PR apostou numa dupla. De facto, o sinuoso discurso aponta para o cenário a) mas também para o cenário b).

À cautela, o PR fez questão de dizer algo e o seu contrário sobre cada um dos assuntos que tão atabalhoadamente abordou. Por um lado acha que Fernando Lima está inocente, mas por outro mandou afastá-lo da assessoria de imprensa. Por um lado acha que está sob escuta, mas por outro decidiu esperar semanas para confirmar essa gravíssima suspeita. Por um lado acha que os seus assessores não participaram em promiscuidades partidárias com o PSD, mas por outro acha que para os jornalistas saberem isso é porque andaram a escutar o PR.

Para partilhar estados de alma e formular insinuações graves mas sem qualquer evidência palpável, pede-se que Cavaco Silva descarregue a bílis em família, poupando assim o País a tamanha expectativa (antes do discurso) e a tamanha frustração (após o discurso).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Candidato cigano do CDS-PP apanhado a furtar palha




A notícia que desafia duplamente a teoria das probabilidades. Qual a probabilidade de um candidato do CDS-PP ser apanhado a roubar (apenas) palha? E qual a probabilidade de um candidato do CDS-PP ser de etnia cigana? Com coincidências destas vou ali jogar no Euromilhões e já volto. É “provável” que ganhe o primeiro prémio.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Trapezista de Belém

Adivinham-se tempos de grande contorcionismo discursivo por parte da Presidência da República.

A tendenciosa manchete do jornal Sol já aponta nesse sentido ao afirmar que, afinal, Cavaco Silva mantém a confiança política em Fernando Lima, apesar de o ter demitido súbita e silenciosamente da assessoria de imprensa (“a sua substituição tem pois que ver com razões operacionais e não com qualquer penalização ou perda de confiança por parte de Cavaco Silva”).

No dia seguinte às eleições começará portanto o arriscado número de trapézio, sem rede, em que o presidencial artista tentará convencer os portugueses de uma de duas improváveis realidades:

a) Fernando Lima está “inocente” e foi retirado de funções apenas por uma questão operacional de controlo de danos.

b) Fernando Lima é “culpado”, mas agiu por iniciativa própria e sem dar conhecimento ao Presidente da República.

Se a primeira hipótese já é incrível, a segunda então é do domínio da mais pura comédia. Aguardemos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre o estado civil da culpa dos acidentes

Numerosos escribas da nossa praça têm manifestado uma autêntica sanha persecutória na sequência da tragédia da praia Maria Luísa. Recorde-se que, neste local, pereceram cinco turistas soterrados pelos escombros de um rochedo.

A principal preocupação manifestada por estes plumitivos tem sido, desde o primeiro instante, encontrar a cabeça a degolar. O cordeiro a sacrificar em altar público, para alívio da consciência colectiva.

O facto de a área do acidente se encontrar claramente sinalizada pelas autoridades como sendo de acesso proibido, precisamente devido ao elevado risco de derrocada (!), é-lhes perfeitamente indiferente e convenientemente ignorado nas crónicas.

Houve mortos ergo há que encontrar os culpados... para que “a culpa não volte a morrer solteira”. Para os neoliberais, mas não só, é bom de ver que o culpado também aqui será o Estado. Aliás, o Estado perfeito seria aquele que nacionalizasse os nossos defeitos e que privatizasse as nossas virtudes. Que nacionalizasse os prejuízos da gestão privada e que privatizasse os lucros da gestão pública. Também aqui, o facto de estes balanços nunca poderem bater certo é-lhes perfeitamente indiferente e convenientemente ignorado nas crónicas.

Por fim, e não menos esclarecedora, é a flagrante contradição encontrada nos comentários efectuados a outro tema da actualidade: as medidas governamentais de prevenção e resposta à pandemia de Gripe A são por estes consideradas excessivas, dramáticas e até atentatórias de certas liberdades individuais. Aqui, torna-se-lhes evidente que o Estado peca por excesso de zelo e que se intromete mais uma vez na esfera individual dos cidadãos. Espantoso.

Todavia, na eventualidade de, também em Portugal, ocorrerem mortes resultantes da pandemia de Gripe A, serão novamente os primeiros a apontar baterias para os culpados do costume. Afinal, nem todas as medidas tinham sido tomadas pelo Estado e, lá está, “a culpa não pode morrer solteira”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Pérolas de pré-campanha - II

O candidato 3 em 1. Pague menos, leve mais.

Pérolas de pré-campanha - I


Não especularemos sobre a fisionomia do candidato e uma conhecida e meritória instituição local. Mas temos de enaltecer a coragem política de um candidato do CDS-PP que adopta um conhecido slogan comunista.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O choro e o riso

Senhor perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem.

E, por falar nisso, nós também não sabemos com que dinheiro pagam tudo o que fazem.

Todavia continuem firmes, "novos democratas". A luta é inglória mas a diversão é assegurada.

Velha Democracia

O regime democrático madeirense tem particularidades que só uma análise profunda da idiossincrasia insular poderia ajudar a explicar.


O estilo truculento e irresponsável da governação madeirense começa a contagiar a oposição, designadamente o PND, que consegue a proeza de ser mais "extravagante" do que o próprio Alberto João Jardim.


Agora inciou-se uma nova fase na contenda. Como os jogos florais já se estavam a tornar monótonos, eis que uns decidem enveredar pela aeronáutica civil (por enquanto) e outros decidem responder a tiros de caçadeira. A coisa promete...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Assim se vê a força do Pê Cê!"

Afinal quem se mete com o PCP também leva. Jorge Coelho ("Quem se mete com o PS leva") e Augusto Santos Silva ("Eu gosto é de malhar na Direita") são as novas musas inspiradoras dos comunistas (na sua "soi-disant" versão CGTP). Hilariante se não fosse trágico!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

De volta

O HHT estará de volta brevemente. Talvez mesmo antes da repetição do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Independentemente

Independentemente da matéria de facto que venha a ser apurada sobre as condições em que foi obtida a licenciatura de José Sócrates, a nódoa agora lançada, tal como ele dizia a Santana Lopes quando este era primeiro-ministro, nunca será apagada. E ele sabe-o.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Aquecimento Global e Antiamericanismo


O Homem-a-Dias, apesar de divergir claramente do HHT em várias matérias (em boa verdade, em quase todas) é linkado por este blogue desde os seus primórdios. Admitimos algum fascínio pela abordagem desempoeirada e contra-corrente que não raras vezes lá encontramos. Desta feita porém não conseguimos deixar passar sem um comentário o extraordinário post sobre o aquecimento global. Apetece contestar cada parágrafo e argumentos não faltam para o fazer. Escasseia o tempo e por esse motivo apenas transcrevemos e comentamos algumas das passagens mais hilariantes:

O curioso é que, ao contrário do Holocausto, o aquecimento global é uma mentira. Os peritos que não receiam pelos seus empregos ou, no futuro, a prisão, têm demonstrado com regularidade os delírios que os funcionários políticos do IPCC, os académicos e os ecologistas em geral produzem em troca de fundos e proeminência.

Nota 1: Concordamos que a IPCC é uma organização obscura e muito pouco amiga do rigor científico, mas mal de nós se o valor de uma causa fosse determinado apenas pelo prestígio de um dos seus defensores.

Mas não importa acertar. Importa juntar dados desconexos a fim de estabelecer a "evidência" do apocalipse climático e, não esquecer, acrescentar-lhe a "responsabilidade" humana. Porquê? Nada de novo: porque todo o exercício visa atacar as sociedades industriais, leia-se o capitalismo, leia-se os EUA e os seus aliados.

Nota 2: Como é que não percebemos logo que se trata de uma conspiração entre académicos, ONG’s, políticos, ecologistas e outros malfeitores quejandos? Isto sim é rigorosamente verdade e pode com toda a facilidade ser provado pelo Homem-a-Dias. Por ser tão evidente é que nem precisou de apresentar nenhuma prova que suporte tal afirmação.

Terminada a Guerra Fria, a orfandade levou alguma esquerda a acolher a selvajaria islâmica emergente (incluindo, claro, a "causa" palestiniana). Nos momentos de delicadeza, a esquerda manipula idiotas úteis (ver Gore, Al) e segue a alternativa ecológica: o aquecimento global, essa portentosa fraude, é a via "verde" e "despoluída" do antiamericanismo de sempre.

Nota 3: "and now for something completely different" aqui temos "os vermelhos" a orquestrarem todas estas campanhas.


Importa esclarecer os mais incautos de que, ao contrário do que diz o Homem-a-Dias, as provas científicas apresentadas até ao momento demonstram claramente que o aquecimento global é induzido e/ou potenciado pela actividade humana e a mesma causa se atribui ao aumento da frequência de ocorrência de fenómenos climáticos extremos como sejam ciclones, chuvas diluvianas ou secas extremas. Entre as consequências mais evidentes do aquecimento global encontra-se o aumento contínuo do nível médio das águas do mar, que vai paulatinamente engolindo a nossa costa. Se o Homem-a-Dias for como S. Tomé, admitirá contrariado o seu erro de apreciação quando o mar lhe entrar por Matosinhos. As imagens da Costa da Caparica ainda não foram suficientes.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Os Grandes Portugueses


Quase tudo o que me ocorre escrever sobre essa bizarra competição televisiva foi antecipado pelo POS. Por economia de espaço e de esforço aqui fica o link. A ler com atenção.



Nota: quanto à evolução dos resultados, o facto de Cunhal e Salazar serem os mais votados até ao momento diz quase tudo sobre a validade deste tipo de exercícios. O programa está ao nível dos inquéritos telefónicos durante o telejornal da TVI "Se acha que o Sargento Luís Gomes deve ser libertado, marque 1; se acha que o pai biológico deve ser enforcado, marque 2; se acha que o juiz que ditou a sentença deve ser espancado, marque 3; se acha que quem faz estes inquéritos idiotas só pode ser anormal, marque 4".

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Ribeiro e Castro - Um referendo, dois pesadelos...


Não vão ser fáceis os próximos dias de Ribeiro e Castro. Para além de uma previsível derrota no referendo à despenalização do aborto, esperam-no ainda declarações explosivas de Paulo Portas sobre a actual liderança do CDS-PP. Não se augura um Fevereiro auspicioso para o ainda líder cinzentão, perdão... centrista.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Vá, despachem lá isso!


Já todos percebemos que o futuro do Iraque passará inevitavelmente pela venda a retalho... mais precisamente, em 3 retalhos. A saber, mais Iraque menos Iraque, será criado o Iraque curdo, o Iraque sunita e o Iraque xiita.
Posto isto, e atendendo às estatísticas literalmente esmagadoras dos atentados que são executados diariamente, daqui lançamos o repto à administração Bush: assumam (ainda mais) claramente a asneirada, retalhem aquilo de forma equilibrada e, se possível, coloquem no poder governos "amigos" que vos permitam continuar a "sacar-lhes" o petróleo a preços que paguem, pelo menos, as despesas deste acto tresloucado de invadir um país soberano baseado em provas que, já então se sabia, serem inexistentes.
Em suma, a recente tendência republicana face ao conflito é assumidamente de "go big". Aconselhamos modestamente uma rápida transição para o "go away and fast". Quanto ao futuro, incerto como todos os futuros, poderemos afiançar que pior é quase impossível!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Execução de Saddam

Já muito se escreveu neste blogue sobre a pena da morte, independentemente de quem seja a vítima ou o carrasco.

Não é justificável, não é equilibrada, não é exemplar, não é justa, não é civilizada, não é digna e não pode ser tolerada. Até quando continuaremos a assistir a imagens da barbárie?

Há quem se indigne com a transmissão das imagens. Pena é que não se indignem antes de tudo o resto com o acto em si.

Visita presidencial à Índia

O hábito de os convidados pagarem as suas próprias despesas parece de elementar justiça, mas pelos vistos era até agora pouco frequente. Ao Presidente da República compete promover e facilitar os contactos empresariais, mas não oferecer viagens nem estadias. Cavaco esteve bem neste aspecto e também na pré-selecção a que submeteu os convidados. Só foram aqueles que demonstraram interesse e capacidade para penetrarem no mercado indiano.