Sócrates respirou de alívio ontem à noite. Alegre não quer fracturar o eleitorado socialista e abdica da sua candidatura presidencial em "favor" de Mário Soares. Não sem antes espetar alguns alfinetes envenenados no seu correligionário.
Depois de ouvir o discurso de Alegre, não se pode deixar de pensar que a sua candidatura, a realizar-se, congregaria uma parte significativa da esquerda mas seria muito pouco apelativa para o "centrão" que cada vez mais decide estas e outras eleições. Os bons candidatos, já se sabe, são aqueles que oferecem garantias de vitória e Alegre, talvez apenas neste aspecto, não era um bom candidato. O PS sabe-o desde o início e Alegre também. Soares "apenas" tirou partido do facto.
Entretanto Belmiro de Azevedo já manifestou apoio à eventual candidatura de Cavaco, tendo sido apoiante de Mário Soares nas suas anteriores candidaturas presidenciais. Adivinha-se a explicação para esta mudança, mas será interessante ouvi-la da boca do próprio.
Ou é o argumento da idade ou o da formação em Economia/Finanças. Salvo notícia de última hora, Belmiro não é jovem e tem uma formação de base em engenharia, continuando hoje a dirigir, com resultados positivos, o seu Grupo de dimensão internacional.
quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Incêndios lá fora
Um post do "Rua da Judiaria" que deve ser enviado urgentemente à malta que (des)coordena a prevenção e o combate a incêndios em Portugal. Além de dar um exemplo interessante tem ligações a documentação relacionada com medidas preventivas. Um post de serviço público.
segunda-feira, 29 de agosto de 2005
Imitando o mundo do futebol
As declarações de Paulo Morais à Visão não podem surpreender. Estão na mesma linha de outras proferidas por dirigentes desportivos que, em alturas de maior aperto financeiro e/ou desportivo, lançam acusações em todas as direcções, suspeitando de tudo e de todos mas sempre sem indicarem um único nome, uma única situação concreta.
O anátema lançado por Paulo Morais - oportun(istic)amente após a exclusão da lista eleitoral autárquica do PSD/CDS - sobre membros do Governo, presidentes de câmara, vereadores, empresários da construção civil e outros elos da "cadeia de pressões" que ele afirma conhecer profundamente não o dignifica e permite diversas especulações sobre a sua idoneidade para o exercício do cargo durante o mandato que ora finda.
O anátema lançado por Paulo Morais - oportun(istic)amente após a exclusão da lista eleitoral autárquica do PSD/CDS - sobre membros do Governo, presidentes de câmara, vereadores, empresários da construção civil e outros elos da "cadeia de pressões" que ele afirma conhecer profundamente não o dignifica e permite diversas especulações sobre a sua idoneidade para o exercício do cargo durante o mandato que ora finda.
terça-feira, 23 de agosto de 2005
Pode ser que não volte a acontecer!
Admito que desconheço o custo de um desfibrilador portátil, mas a realidade é que no aeroporto de London-Stansted (que está para os grandes aeroportos como a Zara está para a Hermés) encontra-se um destes equipamentos de emergência em cada corredor de embarque.Vem esta reflexão ainda a propósito da discussão em torno da morte de Miklos Fehér. Alguém disse que não era comportável dispor de um desfibrilador em cada estádio de futebol, não foi?
Sem surpresa
Tal como se previra no último post antes de férias, Soares avançou para a pré-candidatura presidencial, esmagando Manuel Alegre que, antes dele, se fizera ao mesmo caminho.
É no mínimo divertido assistir às dores tomadas pela Direita relativamente ao destino de Alegre. Quem lhes adivinharia tanta preocupação pelos sentimentos feridos do poeta tantas vezes apodado por esta mesma Direita de "extremista radical do PS"? Mas compreende-se que o nervosismo vá aumentado à medida que o tempo passe e o Professor continue silencioso.
Já aqui foi dito que não é um bom augúrio de maturidade democrática a candidatura de Soares. Ainda que, atendendo às restantes pré-candidaturas (mais ou menos assumidas), seja aquela que, aparentemente, melhor servirá os interesses do país. O argumento da idade, por ser ridículo, nem merece comentário nestas linhas!
É, isso sim, de lamentar que o sistema democrático tenha sido incapaz de produzir, nas gerações posteriores à de Soares, políticos com condições de desempenhar o cargo com igual ou superior competência. Pensemos por instantes nas eleições presidenciais que se seguirão... Cavaco não arriscará uma terceira derrota eleitoral e, portanto, não será candidato; Soares, dificilmente terá condições físicas e psíquicas para se recandidatar. O "vazio" à esquerda poderá então ser preenchido por Vitorino, Alegre, Gama ou Guterres, mas... e à direita?
É no mínimo divertido assistir às dores tomadas pela Direita relativamente ao destino de Alegre. Quem lhes adivinharia tanta preocupação pelos sentimentos feridos do poeta tantas vezes apodado por esta mesma Direita de "extremista radical do PS"? Mas compreende-se que o nervosismo vá aumentado à medida que o tempo passe e o Professor continue silencioso.
Já aqui foi dito que não é um bom augúrio de maturidade democrática a candidatura de Soares. Ainda que, atendendo às restantes pré-candidaturas (mais ou menos assumidas), seja aquela que, aparentemente, melhor servirá os interesses do país. O argumento da idade, por ser ridículo, nem merece comentário nestas linhas!
É, isso sim, de lamentar que o sistema democrático tenha sido incapaz de produzir, nas gerações posteriores à de Soares, políticos com condições de desempenhar o cargo com igual ou superior competência. Pensemos por instantes nas eleições presidenciais que se seguirão... Cavaco não arriscará uma terceira derrota eleitoral e, portanto, não será candidato; Soares, dificilmente terá condições físicas e psíquicas para se recandidatar. O "vazio" à esquerda poderá então ser preenchido por Vitorino, Alegre, Gama ou Guterres, mas... e à direita?
sexta-feira, 22 de julho de 2005
Presidenciais
Cavaco está a jogar bem. Lançar a candidatura após as autárquicas (será imediatamente após, ou nem por isso?) limita ainda mais a actuação da Esquerda. Vejamos:
(1) Se lançar um candidato antes das autárquicas, este será imolado na praça pública sem hipóteses de retaliar, por ausência de opositor assumido.
(2) Se lançar um candidato após as autárquicas (hipótese mais provável) terá dificuldades em "vender", em tão pouco tempo, um qualquer perfil mais adequado à função do que Manuel Alegre, mas menos mediatizado (como Carlos Monjardino).
Perante estes cenários, a terceira via consiste na (pouco) surpreendente recandidatura de Mário Soares que, estatisticamente, seria a mais favorável à Esquerda de acordo com todas as sondagens.
Esta "solução" é sintomática do estado da Nação. Apesar de tudo, a melhor opção para o futuro parece ser o regresso ao nosso passado.
(1) Se lançar um candidato antes das autárquicas, este será imolado na praça pública sem hipóteses de retaliar, por ausência de opositor assumido.
(2) Se lançar um candidato após as autárquicas (hipótese mais provável) terá dificuldades em "vender", em tão pouco tempo, um qualquer perfil mais adequado à função do que Manuel Alegre, mas menos mediatizado (como Carlos Monjardino).
Perante estes cenários, a terceira via consiste na (pouco) surpreendente recandidatura de Mário Soares que, estatisticamente, seria a mais favorável à Esquerda de acordo com todas as sondagens.
Esta "solução" é sintomática do estado da Nação. Apesar de tudo, a melhor opção para o futuro parece ser o regresso ao nosso passado.
sexta-feira, 8 de julho de 2005
Viver entre dois atentados
Temo bem que os próximos tempos continuem marcados pela "rotina do terror" com que fomos brindados neste início de milénio.
Não sabemos onde nem quando, mas sabemos que vai voltar a acontecer.
A nossa condição permanente passa a ser "entre dois atentados". Inaugurou-se uma nova escala cronológica, universal e vergonhosa!
Não sabemos onde nem quando, mas sabemos que vai voltar a acontecer.
A nossa condição permanente passa a ser "entre dois atentados". Inaugurou-se uma nova escala cronológica, universal e vergonhosa!
quarta-feira, 6 de julho de 2005
Entrevista à SIC
Entrevistadores muito "tenrinhos". Sócrates bem preparado.
Porém, uma falha monumental...
A comparação entre Fernando Gomes e Ferreira do Amaral consistiu em justificar uma má nomeação com outra ainda pior! No melhor pano...
Porém, uma falha monumental...
A comparação entre Fernando Gomes e Ferreira do Amaral consistiu em justificar uma má nomeação com outra ainda pior! No melhor pano...
terça-feira, 5 de julho de 2005
Cidade surpreendente
Acho que aquela esplanada é a dos Ingleses.
quarta-feira, 22 de junho de 2005
terça-feira, 21 de junho de 2005
Há anos assim...
Em Salvador da Bahia para fugir à invernia e em Budapaste para fugir à canícula.
terça-feira, 14 de junho de 2005
Passeio Alegre
Chegaram tarde à minha vida
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausica, mas só
no jardim do Passeio Alegre
comecei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos
vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,
para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis — assim nuas.
Eugénio de Andrade, "Rente ao Dizer" (1992)
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausica, mas só
no jardim do Passeio Alegre
comecei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos
vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,
para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis — assim nuas.
Eugénio de Andrade, "Rente ao Dizer" (1992)
segunda-feira, 13 de junho de 2005
Luto portuense
A cidade acordou sob um céu plúmbeo.
Imagino que no Passeio Alegre chovesse copiosamente e que as palmeiras estivessem curvadas pelo vento que sopra da barra.
O Eugénio morreu e este blog ficou irremediavelmente mais pobre.
Imagino que no Passeio Alegre chovesse copiosamente e que as palmeiras estivessem curvadas pelo vento que sopra da barra.
O Eugénio morreu e este blog ficou irremediavelmente mais pobre.
Numa mão a pena e na outra a espada
Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.
Como dizia pela manhã Eduardo Lourenço, foi o século XX que se veio despedir de nós esta noite.
Como dizia pela manhã Eduardo Lourenço, foi o século XX que se veio despedir de nós esta noite.
terça-feira, 7 de junho de 2005
Nestes últimos tempos
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Sophia de Mello Breyner Andresen, Julho de 1976
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Sophia de Mello Breyner Andresen, Julho de 1976
Subscrever:
Mensagens (Atom)


