quarta-feira, 18 de abril de 2007

Independentemente

Independentemente da matéria de facto que venha a ser apurada sobre as condições em que foi obtida a licenciatura de José Sócrates, a nódoa agora lançada, tal como ele dizia a Santana Lopes quando este era primeiro-ministro, nunca será apagada. E ele sabe-o.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Aquecimento Global e Antiamericanismo


O Homem-a-Dias, apesar de divergir claramente do HHT em várias matérias (em boa verdade, em quase todas) é linkado por este blogue desde os seus primórdios. Admitimos algum fascínio pela abordagem desempoeirada e contra-corrente que não raras vezes lá encontramos. Desta feita porém não conseguimos deixar passar sem um comentário o extraordinário post sobre o aquecimento global. Apetece contestar cada parágrafo e argumentos não faltam para o fazer. Escasseia o tempo e por esse motivo apenas transcrevemos e comentamos algumas das passagens mais hilariantes:

O curioso é que, ao contrário do Holocausto, o aquecimento global é uma mentira. Os peritos que não receiam pelos seus empregos ou, no futuro, a prisão, têm demonstrado com regularidade os delírios que os funcionários políticos do IPCC, os académicos e os ecologistas em geral produzem em troca de fundos e proeminência.

Nota 1: Concordamos que a IPCC é uma organização obscura e muito pouco amiga do rigor científico, mas mal de nós se o valor de uma causa fosse determinado apenas pelo prestígio de um dos seus defensores.

Mas não importa acertar. Importa juntar dados desconexos a fim de estabelecer a "evidência" do apocalipse climático e, não esquecer, acrescentar-lhe a "responsabilidade" humana. Porquê? Nada de novo: porque todo o exercício visa atacar as sociedades industriais, leia-se o capitalismo, leia-se os EUA e os seus aliados.

Nota 2: Como é que não percebemos logo que se trata de uma conspiração entre académicos, ONG’s, políticos, ecologistas e outros malfeitores quejandos? Isto sim é rigorosamente verdade e pode com toda a facilidade ser provado pelo Homem-a-Dias. Por ser tão evidente é que nem precisou de apresentar nenhuma prova que suporte tal afirmação.

Terminada a Guerra Fria, a orfandade levou alguma esquerda a acolher a selvajaria islâmica emergente (incluindo, claro, a "causa" palestiniana). Nos momentos de delicadeza, a esquerda manipula idiotas úteis (ver Gore, Al) e segue a alternativa ecológica: o aquecimento global, essa portentosa fraude, é a via "verde" e "despoluída" do antiamericanismo de sempre.

Nota 3: "and now for something completely different" aqui temos "os vermelhos" a orquestrarem todas estas campanhas.


Importa esclarecer os mais incautos de que, ao contrário do que diz o Homem-a-Dias, as provas científicas apresentadas até ao momento demonstram claramente que o aquecimento global é induzido e/ou potenciado pela actividade humana e a mesma causa se atribui ao aumento da frequência de ocorrência de fenómenos climáticos extremos como sejam ciclones, chuvas diluvianas ou secas extremas. Entre as consequências mais evidentes do aquecimento global encontra-se o aumento contínuo do nível médio das águas do mar, que vai paulatinamente engolindo a nossa costa. Se o Homem-a-Dias for como S. Tomé, admitirá contrariado o seu erro de apreciação quando o mar lhe entrar por Matosinhos. As imagens da Costa da Caparica ainda não foram suficientes.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Os Grandes Portugueses


Quase tudo o que me ocorre escrever sobre essa bizarra competição televisiva foi antecipado pelo POS. Por economia de espaço e de esforço aqui fica o link. A ler com atenção.



Nota: quanto à evolução dos resultados, o facto de Cunhal e Salazar serem os mais votados até ao momento diz quase tudo sobre a validade deste tipo de exercícios. O programa está ao nível dos inquéritos telefónicos durante o telejornal da TVI "Se acha que o Sargento Luís Gomes deve ser libertado, marque 1; se acha que o pai biológico deve ser enforcado, marque 2; se acha que o juiz que ditou a sentença deve ser espancado, marque 3; se acha que quem faz estes inquéritos idiotas só pode ser anormal, marque 4".

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Ribeiro e Castro - Um referendo, dois pesadelos...


Não vão ser fáceis os próximos dias de Ribeiro e Castro. Para além de uma previsível derrota no referendo à despenalização do aborto, esperam-no ainda declarações explosivas de Paulo Portas sobre a actual liderança do CDS-PP. Não se augura um Fevereiro auspicioso para o ainda líder cinzentão, perdão... centrista.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Vá, despachem lá isso!


Já todos percebemos que o futuro do Iraque passará inevitavelmente pela venda a retalho... mais precisamente, em 3 retalhos. A saber, mais Iraque menos Iraque, será criado o Iraque curdo, o Iraque sunita e o Iraque xiita.
Posto isto, e atendendo às estatísticas literalmente esmagadoras dos atentados que são executados diariamente, daqui lançamos o repto à administração Bush: assumam (ainda mais) claramente a asneirada, retalhem aquilo de forma equilibrada e, se possível, coloquem no poder governos "amigos" que vos permitam continuar a "sacar-lhes" o petróleo a preços que paguem, pelo menos, as despesas deste acto tresloucado de invadir um país soberano baseado em provas que, já então se sabia, serem inexistentes.
Em suma, a recente tendência republicana face ao conflito é assumidamente de "go big". Aconselhamos modestamente uma rápida transição para o "go away and fast". Quanto ao futuro, incerto como todos os futuros, poderemos afiançar que pior é quase impossível!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Execução de Saddam

Já muito se escreveu neste blogue sobre a pena da morte, independentemente de quem seja a vítima ou o carrasco.

Não é justificável, não é equilibrada, não é exemplar, não é justa, não é civilizada, não é digna e não pode ser tolerada. Até quando continuaremos a assistir a imagens da barbárie?

Há quem se indigne com a transmissão das imagens. Pena é que não se indignem antes de tudo o resto com o acto em si.

Visita presidencial à Índia

O hábito de os convidados pagarem as suas próprias despesas parece de elementar justiça, mas pelos vistos era até agora pouco frequente. Ao Presidente da República compete promover e facilitar os contactos empresariais, mas não oferecer viagens nem estadias. Cavaco esteve bem neste aspecto e também na pré-selecção a que submeteu os convidados. Só foram aqueles que demonstraram interesse e capacidade para penetrarem no mercado indiano.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Militares e polícias na rua...

Mas ainda há dúvidas sobre a justiça dos castigos aplicados aos militares que passearam/desfilaram/piquenicaram em protesto (mal) camuflado contra o Governo? Afinal estavam à espera de quê? De palmadinhas nas costas das chefias militares e do Ministro da Defesa? É incrível o ponto a que chegou o desrespeito pela autoridade do Estado!

Temos assistido, incrédulos, a militares nas ruas a desafiarem as ordens expressas das respectivas chefias e a polícias em locais idênticos a chamarem "aldrabão" ao primeiro-ministro e até a reclamarem o "direito à greve"...

Mas será que não percebem que sendo representantes da autoridade não se podem colocar a si próprios em tais situações, digamos, pouco edificantes? Hoje estão na rua a atacar o Estado e os seus governantes e amanhã estão na mesma rua a prender ou a autuar quem desrespeita a autoridade do Estado? Com que "cara"?

Nunca se assistiu a ditaduras que evoluíssem naturalmente para democracias, mas o contrário vem nos livros. E os primeiros sinais eram deste tipo.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Santana Lopes (o livro e a entrevista)

É surpreendente (ou talvez não) a incapacidade de Pedro Santana Lopes para reconhecer os seus próprios erros.

Um ano depois de ter sido demitido de funções, ainda acredita na existência de uma conspiração objectiva para o derrubar, que envolvia figuras destacadas do seu partido, o então Presidente da República, todos os partidos da oposição, comentadores políticos, jornalistas, sindicalistas, domésticas, psicólogos, bombeiros, médicos, cantoneiros, taxistas, cozinheiros, economistas, torneiros mecânicos, engenheiros, costureiras, marceneiros, dactilógrafas, estivadores, advogados... Enfim, toda uma sociedade que - por maldade uns e por ignorância outros - não se soube mostrar grata por ser conduzida por tão brilhante e esclarecido líder e desencadeou a demissão.

Mas o seu livro aí está (segundo palavras do próprio PSL, ontem já ia na 2ª edição!) para deitar por terra todas as calúnias levantadas por esse bando de conspiradores ingratos que dão pelo nome de portugueses.

PSL espera que a história lhe faça justiça, nós também! Que os líderes do futuro aprendam com os erros do passado.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Prós e Contras


Todos os partidos de poder, quando atravessam o deserto (leia-se: quando estão na oposição) perdem uma grande parte da sua capacidade de discernimento. O PSD veio agora a terreiro queixar-se da presença constante de ministros socialistas no programa Prós e Contras e do facto de não terem sido convidadas fuguras do PSD para esgrimir o contraditório.

Ora, se bem me lembro, as oposições costumavam queixar-se do autismo dos governos, que não apareciam a justificar as medidas impopulares, que não se sujeitavam a debates públicos (muito menos em directo e em canal aberto!), que não ouviam as partes contrárias, que isto e que aquilo. Pois bem, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... e o PSD vem agora lamentar-se da presença frequente de membros do governo na televisão!

Por muitos defeitos que o programa televisivo em apreço possa ter, não pode ser apodado de favorável ou laudatório dos ministros que o frequentaram, até porque não raras vezes estes têm sido confrontados com plateias maioritariamente hostis e nem sempre bem esclarecidas sobre os assuntos em discussão.

Quanto ao facto de o PSD nem sempre ter estado representado na parte contrária, grave seria se não houvesse parte contrária! Como nos tempos em que Cavaco Silva era primeiro-ministro e só aparecia na televisão para ler comunicados, sem direito a perguntas dos jornalistas e muito menos a contraditório por parte de membros da oposição. Haja memória...

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Haja saúde!

O histórico buraco financeiro do Ministério da Saúde tende a ensandecer os ministros que o tutelam. A mais recente invenção de Correia de Campos para obter fundos evidencia um desespero absoluto. Não é que pretende criar uma taxa moderadora ("taxa de utilização" nas palavras do senhor ministro) para cirurgias e internamentos? Como se fosse humanamente possível moderar a doença que se contrai ou o acidente que se sofre!

Se a intenção for acabar com o Serviço Nacional de Saúde tal como o conhecemos e tal como está consagrado na Constituição da República Portuguesa, é necessário dar a cara e assumi-lo! A pretexto de obter "mais alguns tostões" (nas palavras do próprio ministro) é que não se podem realizar estes ataques encapotados a direitos constitucionalmente garantidos.

Termino com votos para o Senhor Ministro idênticos ao do personagem televisivo Frasier: "Good night and good mental health".

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Ainda sobre a coabitação


Para quem temia a coabitação Cavaco / Sócrates, o HHT apresenta a prova que faltava. Afinal um deles é especialista na área do imobiliário...

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Corridas


O País congratula-se com mais uma vitória, brilhante, do corredor luso-nigeriano Francis Obikwelu. Apesar de ter nascido na Nigéria e viver actualmente em Espanha, admito que possamos sentir algum orgulho por este talentoso atleta ter escolhido a nossa bandeira para abraçar no final de cada triunfo desportivo além-fronteiras. É algo que não me choca minimamente.

Choca-me no entanto que todos os anos milhares de portugueses também talentosos - ainda que em áreas não desportivas como a química, a física, a microbiologia, a engenharia... - se vejam forçados a abraçar outras bandeiras que não a nossa. O esforço organizacional e financeiro para criar condições de trabalho a estes portugueses é muito grande mas tem de ser feito agora. É importante que os nossos licenciados trabalhem algum tempo lá fora, aprendendo com experiências profissionais e académicas eventualmente mais "evoluídas", mas igualmente importante é que se criem condições para o seu regresso em tempo útil.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Belgais/Bahia


Maria João Pires excedeu-se. Quero acreditar que os problemas de saúde recentes justificarão, pelo menos em parte, a falta de respeito pelas instituições culturais e educativas portuguesas e, em última análise, pelo próprio País. Portugal tem em MJP aquilo de que mais se pode orgulhar e é certo que nem sempre soube reconhecer o mérito que, lá fora, há muito era aclamado.

No entanto, a arrogância com que reclamava apoios financeiros para o seu projecto de Belgais, que é sem dúvida meritório, sempre me provocou estranheza e até alguma irritação. O mérito artístico não pode justificar caprichos autoritários que, não raras vezes, configuravam chantagens públicas com o Estado Português.


NOTA: Desejo o maior sucesso para o projecto Belgais II, desta vez na Bahia, e aproveito o mote para aconselhar a MJP maior moderação quando solicitar (exigir?) apoios ao Estado Brasileiro. É que nem todos os governantes têm a paciência dos nossos...

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Uma Batalha ganha

A recuperação do Cinema Batalha representa uma vitória na guerra contra a desertificação da baixa portuense, ainda que muito haja ainda a fazer. O espaço está decorado com sobriedade e bom gosto, a música ambiente é escolhida criteriosamente e o serviço, não sendo de deslumbrar, também não compromete.

A vista oferecida pelo bar situado na cobertura do edifício é única.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Por Ruas e Vielas

As declarações irreprodutíveis de Fernando Ruas são reveladoras de uma forma de exercer o poder autárquico que nos parecem, hoje, passados que são 32 anos sobre o 25 de Abril, algo de inconcebível.
O apelo à lapidação dos inspectores do Ministério do Ambiente representa o grau zero da política.
Exige-se que o Ministério Público cumpra a sua função.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Goleada

Sócrates já deu goleada neste Mundial 2006. A substituição de Freitas do Amaral e consequente mini-remodelação governamental foi, provavelmente, a menos contestada de sempre. A Oposição, à semelhança da generalidade da opinião pública, está com o corpo em Portugal mas com a cabeça na Alemanha. Ditosa pátria...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Escolas


A decisão de fechar um tão elevado número de escolas um pouco por todo o país é, no mínimo, discutível. O facto de estas escolas estarem maioritariamente localizadas em regiões do interior, assoladas pela desertificação, torna necessário um cuidado redobrado na apreciação de cada caso.

É certo que os recursos ministeriais são escassos e que é possível proporcionar melhores condições de ensino se esses recursos forem canalizados para estruturas centralizadas, todavia, essa centralização arrancará os poucos jovens e crianças que ainda restavam e, em muitos casos, os seus pais, também eles jovens e indispensáveis ao combate urgente contra o êxodo rural.

Sócrates diz que esta decisão não é por uma questão de dinheiro. Não é verdade. Trata-se de uma decisão motivada por preocupações financeiras, legítimas, mas que devem ser assumidas enquanto tal. De igual forma, devem ser estimados (e publicados!) os custos, também eles financeiros e de sustentabilidade territorial associados ao encerramento destas escolas. A política (gestão da coisa pública) só pode ser feita assim, com transparência.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

A ver

O último de Woody Allen: "Match Point". Para além da fotografia, da banda sonora, do argumento e de tudo o resto, Scarlett Johansson está de cortar a respiração.