terça-feira, 16 de dezembro de 2003

Apanharam-no mesmo?

O homem das barbas que em meados de Dezembro fez a capa de quase todos os jornais do mundo não é, ao que tudo indica, o Pai Natal.
Cientistas americanos, com base em testes de ADN, afirmam tratar-se de Saddam Hussein. É contudo desejável que esses testes não tenham sido efectuados pelos mesmos cientistas que tinham provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque... Nesse caso, poder-se-á tratar realmente do Pai Natal!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2003

É inegável

A política nos Açores anda a reboque da política no continente. Até na pedofilia!

terça-feira, 9 de dezembro de 2003

Prémio “A vantagem de ter um presidente ex-KGB”

O partido de Putin, “Rússia Unida”, assegura a maioria na Duma sob um clima de fortes suspeitas de fraude eleitoral.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

Papel usado: não recicle, reutilize!

Numa fase de acesa polémica sobre o destino da PORTUCEL, esta nova engenhoca pode vir a distorcer algumas das contas que foram feitas sobre o futuro do sector.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2003

"German cannibal says victim was willing"

Ora aqui está uma linha argumentativa que a defesa ainda não explorou no Processo da Casa Pia. Seria algo do género:
"Meretíssimo Juiz, o meu constituinte afirma convictamente e sob palavra de honra que todas as vítimas de pedofilia, sem excepção, pediram para ser violadas."

"Hans Eichel aponta Portugal como exemplo a não seguir"

Aposto que a Ministra das Finanças nem queria acreditar nos seus olhos quando leu esta notícia. Até tu "Brutus"?

Maquiavel escreve sobre... O ENQUADRAMENTO POLÍTICO DE PAULO PORTAS NO EXECUTIVO BARROSISTA

(...) para que um príncipe possa conhecer o ministro, há um meio que nunca falha. Quando o príncipe veja que o ministro pensa mais em si do que nele, e que em todas as acções procura a utilidade própria, verificará assim que nunca será bom ministro e que nunca se poderá fiar nele. (...) E, por outro lado, o príncipe, para o conservar bom, deve pensar no ministro, honrá-lo, enriquecê-lo, torná-lo obrigado, dando-lhe participação nas honras e nos cargos, a fim de que veja que não pode passar sem ele, príncipe, e que as muitas honrarias façam que não deseje mais riquezas, e que os muitos cargos lhe façam temer quaisquer mudanças. Quando então os ministros, e os príncipes por relação aos ministros, são assim constituídos, podem confiar um no outro; e quando as coisas se passam diversamente, sempre o fim será danoso ou para um ou para outro.
(Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”)

Maquiavel escreve sobre... AS OBSESSÕES PESSOAIS DE PEDRO SANTANA LOPES

Nada traz tanta estima a um príncipe, como as grandes empresas e o dar de si exemplos raros no que respeita ao governo das coisas internas (...) quando a ocasião se lhe depare na vida civil de que cometa algum acto extraordinário no bem ou no mal; e ajuda adoptar uma forma de premiar ou punir de que bastante se tenha de falar. E sobretudo deve um príncipe esforçar-se por adquirir em todas as suas acções, fama de homem grande e excelente. (...) Deve, ainda, mostrar-se um príncipe amador das virtudes, e honrar os que primam numa arte. (...) Deve, além disso, nas fases convenientes do ano, manter ocupados os povos com festas e espectáculos. E porque toda a cidade está dividida em corporações ou em classes, deve ter em conta essas comunidades, reunir-se com elas alguma vez, dar de si exemplos de humanidade e munificência, conservando sempre firme, não obstante, a majestade da sua dignidade, porque isto não deve faltar em coisa alguma.
(Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”)

sexta-feira, 28 de novembro de 2003

America's Cup

Quando soube da vitória de Valência fiquei triste. Pela nossa derrota, bem entendido. A vitória deles foi, por certo, merecida e realmente fundamentada.
Mas passou-me rapidamente a tristeza quando soube que Santana Lopes, afinal, se sentia aliviado com a decisão e que tinha menos uma dor de cabeça!
Se PSL, que é o presidente da Câmara de Lisboa, diz que se sente melhor com este veredicto, quem julgo eu que sou para achar que a decisão não foi boa para nós?

Ainda sobre o "penetra" do jantar iraquiano

Bush afirmou que a América tem os olhos postos naqueles homens, mas esqueceu-se de um detalhe.
Alguns do que assistiram ao seu discurso não voltarão a pôr os olhos na América.

Adivinha quem vem jantar

A aparição de Bush em Bagdade foi tão inesperada que os comentadores, apanhados desprevenidos, ainda hesitam entre a atribuição do rótulo de herói ou de palhaço. A mesma dúvida deve ter tido o departamento de marketing da Casa Branca quando começou a pensar nesta poção para inverter a tendência de queda imparável nas sondagens.
Mas o importante é que a moral das tropas foi galvanizada pela visita. Até quando? Até hoje ou amanhã, quando for assassinado mais um "proud american soldier".

quarta-feira, 26 de novembro de 2003

Falta menos de meia hora

A decisão sobre o local de realização da America's Cup está a 30 minutos e alguns milhares de quilómetros de distância. Depois da histeria repartida entre as candidaturas de Lisboa e Valência, tinha alguma piada ver Marselha ou Nápoles a vencer. De qualquer forma, segundo alguns cronistas lusos, a vitória de qualquer outra cidade que não seja Lisboa, ficar-se-ia sempre a dever aos protestos dos pescadores. É este o "saber perder" dos portugueses: ou partimos o balneário ou culpamos os pescadores! Por estes últimos, espero mesmo que Lisboa ganhe e que assim fujam ao rótulo anti-patriótico.

terça-feira, 25 de novembro de 2003

A confirmação

The head of the US Central Command, General John Abizaid, said America's military presence "will no longer be needed" once the future Iraqi government can guarantee the country's security. (AFP)
Para quem tinha dúvidas, aqui está a prova que faltava. Os militares dos EUA nunca abandonarão o Iraque!

segunda-feira, 24 de novembro de 2003

Sharon recebe Fini

Estas aFinidades já não me surpreendem, mas confesso que esperava mais do proverbial talento negocial semita. De facto, abraçar um neo-fascista admirador de Mussolini (que, como é sabido, não morria de amores pelos judeus) em troca do apoio italiano na construção do muro representa, no mínimo, um mau negócio.

Maquiavel escreve sobre... A UTILIDADE DO PARLAMENTO

(...) nos reinos bem ordenados e governados (...) encontra-se uma infinidade de boas constituições, de que dependem a liberdade e segurança do rei; a primeira das quais é o Parlamento e a sua autoridade. Porque aquele que ordenou esse reino, conhecendo a ambição e a insolência dos poderosos, e julgando ser necessário pôr-lhes na boca um freio que os corrigise, e conhecendo, por outro lado, o ódio do povo contra os grandes, ódio nascido do medo, e desejando protegê-los, não quis que isso constituísse cuidado particular do rei, para evitar a este a animosidade que lhe adviria dos nobres quando favorecese os populares, e dos populares quando favorecesse os nobres; e assim, constituiu um terceiro juiz que, sem ser o rei, refreasse os grandes e favorecesse os pequenos. (...) devem os príncipes cometer aos outros as questões melindrosas, reservando para si mesmos as graciosas. De novo concluo que deve um príncipe estimar os grandes, mas não se fazer odiar do povo. (Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”)

sexta-feira, 21 de novembro de 2003

O esplendor da estupidez humana

The jury deliberating whether convicted U.S. sniper John Muhammad should live or die in connection with a fatal string of shootings (...) broke off discussions. It was not immediately known whether jurors were ready to offer a decision on whether Muhammad should be sentenced to death or life in prison without parole for two capital murder counts.(Reuters)

Só me faltava um filósofo

Ia eu descansado para fim-de-semana, quando esbarro com a página deste senhor. Reconheço-lhe a faculdade rara de estar presente em todos os fóruns de discussão auto-sustentada. Faz a festa, atira os foguetes e apanha as canas. É um artista português.

Maquiavel escreve sobre... O PROCESSO DA CASA PIA

(...) estes príncipes ou comandam por si mesmos, ou por meio de magistrados. No último caso, é a sua situação mais débil e mais perigosa, porque dependem em tudo da vontade daqueles cidadãos que foram propostos para a magistratura, os quais, mormente nos tempos adversos, podem, com grande facilidade roubar-lhes o Estado.(Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”)

quinta-feira, 20 de novembro de 2003

Excesso de tempo livre?

A Universidade de Oxford investigou cientificamente o desporto mais estúpido do mundo. A Scientific American apresenta em primeira página as principais conclusões extraídas do artigo publicado na Nature sobre a ciência do "home run". Ninguém arranja uma consola de jogos para entreter estes investigadores? O interesse social da ocupação seria equivalente e os custos incomparavelmente menores.

quarta-feira, 19 de novembro de 2003

Maquiavel escreve sobre... O AUMENTO DAS PROPINAS

(...) não há coisa mais difícil de tratar, nem mais duvidosa de lograr, nem mais arriscada de manejar do que tentar alguém introduzir reformas. Porquanto o introdutor tem inimigos em todos aqueles que beneficiavam do antigo estado de coisas, e mornos defensores naqueles que aproveitam com as novas disposições, (...) em parte pelo medo que sentem pelos adversários, que têm as leis do seu lado, em parte pela incredulidade dos homens, que não acreditam em novidades e precisam da confirmação feita por uma experiência segura. Do que resulta que cada vez que os inimigos do novo estado de coisas têm ocasião para o combater, o fazem apaixonada e violentamente, e que os partidários desse estado se defendem frouxamente, de modo que, junto com eles, fica o príncipe em risco. (Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”)