sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

A Bíblia segundo Saramago 



É no mínimo curiosa a atracção vertiginosa deste comunista pelas tão pouco marxistas técnicas de marketing. Que Deus e Marx o perdoem.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Mudança de mote 

Durante as recentes arrumações efectuadas neste blogue, decidiu-se também mudar o mote que o acompanhava desde a fundação (26.09.2003).

Assim, o niilista, pretensioso e francófono "Si le noir est symbole d'obscurité, ceux qui écrivent pour être clairs ont tort" foi substituído pelo metódico e aristotélico "A dúvida é o princípio da sabedoria".

Duvidemos pois.

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Andamos a brincar aos Presidentes? 





Retomando o post de 25.09 sobre o Trapezista de Belém, conclui-se agora que o PR apostou numa dupla. De facto, o sinuoso discurso aponta para o cenário a) mas também para o cenário b).

À cautela, o PR fez questão de dizer algo e o seu contrário sobre cada um dos assuntos que tão atabalhoadamente abordou. Por um lado acha que Fernando Lima está inocente, mas por outro mandou afastá-lo da assessoria de imprensa. Por um lado acha que está sob escuta, mas por outro decidiu esperar semanas para confirmar essa gravíssima suspeita. Por um lado acha que os seus assessores não participaram em promiscuidades partidárias com o PSD, mas por outro acha que para os jornalistas saberem isso é porque andaram a escutar o PR.

Para partilhar estados de alma e formular insinuações graves mas sem qualquer evidência palpável, pede-se que Cavaco Silva descarregue a bílis em família, poupando assim o País a tamanha expectativa (antes do discurso) e a tamanha frustração (após o discurso).

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Candidato cigano do CDS-PP apanhado a furtar palha 




A notícia que desafia duplamente a teoria das probabilidades. Qual a probabilidade de um candidato do CDS-PP ser apanhado a roubar (apenas) palha? E qual a probabilidade de um candidato do CDS-PP ser de etnia cigana? Com coincidências destas vou ali jogar no Euromilhões e já volto. É “provável” que ganhe o primeiro prémio.

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

O Trapezista de Belém 

Adivinham-se tempos de grande contorcionismo discursivo por parte da Presidência da República.

A tendenciosa manchete do jornal Sol já aponta nesse sentido ao afirmar que, afinal, Cavaco Silva mantém a confiança política em Fernando Lima, apesar de o ter demitido súbita e silenciosamente da assessoria de imprensa (“a sua substituição tem pois que ver com razões operacionais e não com qualquer penalização ou perda de confiança por parte de Cavaco Silva”).

No dia seguinte às eleições começará portanto o arriscado número de trapézio, sem rede, em que o presidencial artista tentará convencer os portugueses de uma de duas improváveis realidades:

a) Fernando Lima está “inocente” e foi retirado de funções apenas por uma questão operacional de controlo de danos.

b) Fernando Lima é “culpado”, mas agiu por iniciativa própria e sem dar conhecimento ao Presidente da República.

Se a primeira hipótese já é incrível, a segunda então é do domínio da mais pura comédia. Aguardemos.


sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Sobre o estado civil da culpa dos acidentes 

Numerosos escribas da nossa praça têm manifestado uma autêntica sanha persecutória na sequência da tragédia da praia Maria Luísa. Recorde-se que, neste local, pereceram cinco turistas soterrados pelos escombros de um rochedo.

A principal preocupação manifestada por estes plumitivos tem sido, desde o primeiro instante, encontrar a cabeça a degolar. O cordeiro a sacrificar em altar público, para alívio da consciência colectiva.

O facto de a área do acidente se encontrar claramente sinalizada pelas autoridades como sendo de acesso proibido, precisamente devido ao elevado risco de derrocada (!), é-lhes perfeitamente indiferente e convenientemente ignorado nas crónicas.

Houve mortos ergo há que encontrar os culpados... para que “a culpa não volte a morrer solteira”. Para os neoliberais, mas não só, é bom de ver que o culpado também aqui será o Estado. Aliás, o Estado perfeito seria aquele que nacionalizasse os nossos defeitos e que privatizasse as nossas virtudes. Que nacionalizasse os prejuízos da gestão privada e que privatizasse os lucros da gestão pública. Também aqui, o facto de estes balanços nunca poderem bater certo é-lhes perfeitamente indiferente e convenientemente ignorado nas crónicas.

Por fim, e não menos esclarecedora, é a flagrante contradição encontrada nos comentários efectuados a outro tema da actualidade: as medidas governamentais de prevenção e resposta à pandemia de Gripe A são por estes consideradas excessivas, dramáticas e até atentatórias de certas liberdades individuais. Aqui, torna-se-lhes evidente que o Estado peca por excesso de zelo e que se intromete mais uma vez na esfera individual dos cidadãos. Espantoso.

Todavia, na eventualidade de, também em Portugal, ocorrerem mortes resultantes da pandemia de Gripe A, serão novamente os primeiros a apontar baterias para os culpados do costume. Afinal, nem todas as medidas tinham sido tomadas pelo Estado e, lá está, “a culpa não pode morrer solteira”.

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Pérolas de pré-campanha - III 


quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Pérolas de pré-campanha - II 

O candidato 3 em 1. Pague menos, leve mais.


Pérolas de pré-campanha - I 


Não especularemos sobre a fisionomia do candidato e uma conhecida e meritória instituição local. Mas temos de enaltecer a coragem política de um candidato do CDS-PP que adopta um conhecido slogan comunista.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

O choro e o riso 

Senhor perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem.

E, por falar nisso, nós também não sabemos com que dinheiro pagam tudo o que fazem.

Todavia continuem firmes, "novos democratas". A luta é inglória mas a diversão é assegurada.

Velha Democracia 

O regime democrático madeirense tem particularidades que só uma análise profunda da idiossincrasia insular poderia ajudar a explicar.


O estilo truculento e irresponsável da governação madeirense começa a contagiar a oposição, designadamente o PND, que consegue a proeza de ser mais "extravagante" do que o próprio Alberto João Jardim.


Agora inciou-se uma nova fase na contenda. Como os jogos florais já se estavam a tornar monótonos, eis que uns decidem enveredar pela aeronáutica civil (por enquanto) e outros decidem responder a tiros de caçadeira. A coisa promete...

segunda-feira, 4 de Maio de 2009

"Assim se vê a força do Pê Cê!" 

Afinal quem se mete com o PCP também leva. Jorge Coelho ("Quem se mete com o PS leva") e Augusto Santos Silva ("Eu gosto é de malhar na Direita") são as novas musas inspiradoras dos comunistas (na sua "soi-disant" versão CGTP). Hilariante se não fosse trágico!

sexta-feira, 27 de Junho de 2008

De volta 

O HHT estará de volta brevemente. Talvez mesmo antes da repetição do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa.

quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Independentemente 

Independentemente da matéria de facto que venha a ser apurada sobre as condições em que foi obtida a licenciatura de José Sócrates, a nódoa agora lançada, tal como ele dizia a Santana Lopes quando este era primeiro-ministro, nunca será apagada. E ele sabe-o.

sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Contradições 


sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Aquecimento Global e Antiamericanismo 


O Homem-a-Dias, apesar de divergir claramente do HHT em várias matérias (em boa verdade, em quase todas) é linkado por este blogue desde os seus primórdios. Admitimos algum fascínio pela abordagem desempoeirada e contra-corrente que não raras vezes lá encontramos. Desta feita porém não conseguimos deixar passar sem um comentário o extraordinário post sobre o aquecimento global. Apetece contestar cada parágrafo e argumentos não faltam para o fazer. Escasseia o tempo e por esse motivo apenas transcrevemos e comentamos algumas das passagens mais hilariantes:

O curioso é que, ao contrário do Holocausto, o aquecimento global é uma mentira. Os peritos que não receiam pelos seus empregos ou, no futuro, a prisão, têm demonstrado com regularidade os delírios que os funcionários políticos do IPCC, os académicos e os ecologistas em geral produzem em troca de fundos e proeminência.

Nota 1: Concordamos que a IPCC é uma organização obscura e muito pouco amiga do rigor científico, mas mal de nós se o valor de uma causa fosse determinado apenas pelo prestígio de um dos seus defensores.

Mas não importa acertar. Importa juntar dados desconexos a fim de estabelecer a "evidência" do apocalipse climático e, não esquecer, acrescentar-lhe a "responsabilidade" humana. Porquê? Nada de novo: porque todo o exercício visa atacar as sociedades industriais, leia-se o capitalismo, leia-se os EUA e os seus aliados.

Nota 2: Como é que não percebemos logo que se trata de uma conspiração entre académicos, ONG’s, políticos, ecologistas e outros malfeitores quejandos? Isto sim é rigorosamente verdade e pode com toda a facilidade ser provado pelo Homem-a-Dias. Por ser tão evidente é que nem precisou de apresentar nenhuma prova que suporte tal afirmação.

Terminada a Guerra Fria, a orfandade levou alguma esquerda a acolher a selvajaria islâmica emergente (incluindo, claro, a "causa" palestiniana). Nos momentos de delicadeza, a esquerda manipula idiotas úteis (ver Gore, Al) e segue a alternativa ecológica: o aquecimento global, essa portentosa fraude, é a via "verde" e "despoluída" do antiamericanismo de sempre.

Nota 3: "and now for something completely different" aqui temos "os vermelhos" a orquestrarem todas estas campanhas.


Importa esclarecer os mais incautos de que, ao contrário do que diz o Homem-a-Dias, as provas científicas apresentadas até ao momento demonstram claramente que o aquecimento global é induzido e/ou potenciado pela actividade humana e a mesma causa se atribui ao aumento da frequência de ocorrência de fenómenos climáticos extremos como sejam ciclones, chuvas diluvianas ou secas extremas. Entre as consequências mais evidentes do aquecimento global encontra-se o aumento contínuo do nível médio das águas do mar, que vai paulatinamente engolindo a nossa costa. Se o Homem-a-Dias for como S. Tomé, admitirá contrariado o seu erro de apreciação quando o mar lhe entrar por Matosinhos. As imagens da Costa da Caparica ainda não foram suficientes.

segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Os Grandes Portugueses 


Quase tudo o que me ocorre escrever sobre essa bizarra competição televisiva foi antecipado pelo POS. Por economia de espaço e de esforço aqui fica o link. A ler com atenção.



Nota: quanto à evolução dos resultados, o facto de Cunhal e Salazar serem os mais votados até ao momento diz quase tudo sobre a validade deste tipo de exercícios. O programa está ao nível dos inquéritos telefónicos durante o telejornal da TVI "Se acha que o Sargento Luís Gomes deve ser libertado, marque 1; se acha que o pai biológico deve ser enforcado, marque 2; se acha que o juiz que ditou a sentença deve ser espancado, marque 3; se acha que quem faz estes inquéritos idiotas só pode ser anormal, marque 4".

quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Ribeiro e Castro - Um referendo, dois pesadelos... 


Não vão ser fáceis os próximos dias de Ribeiro e Castro. Para além de uma previsível derrota no referendo à despenalização do aborto, esperam-no ainda declarações explosivas de Paulo Portas sobre a actual liderança do CDS-PP. Não se augura um Fevereiro auspicioso para o ainda líder cinzentão, perdão... centrista.

sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Vá, despachem lá isso! 


Já todos percebemos que o futuro do Iraque passará inevitavelmente pela venda a retalho... mais precisamente, em 3 retalhos. A saber, mais Iraque menos Iraque, será criado o Iraque curdo, o Iraque sunita e o Iraque xiita.
Posto isto, e atendendo às estatísticas literalmente esmagadoras dos atentados que são executados diariamente, daqui lançamos o repto à administração Bush: assumam (ainda mais) claramente a asneirada, retalhem aquilo de forma equilibrada e, se possível, coloquem no poder governos "amigos" que vos permitam continuar a "sacar-lhes" o petróleo a preços que paguem, pelo menos, as despesas deste acto tresloucado de invadir um país soberano baseado em provas que, já então se sabia, serem inexistentes.
Em suma, a recente tendência republicana face ao conflito é assumidamente de "go big". Aconselhamos modestamente uma rápida transição para o "go away and fast". Quanto ao futuro, incerto como todos os futuros, poderemos afiançar que pior é quase impossível!

quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Execução de Saddam 

Já muito se escreveu neste blogue sobre a pena da morte, independentemente de quem seja a vítima ou o carrasco.

Não é justificável, não é equilibrada, não é exemplar, não é justa, não é civilizada, não é digna e não pode ser tolerada. Até quando continuaremos a assistir a imagens da barbárie?

Há quem se indigne com a transmissão das imagens. Pena é que não se indignem antes de tudo o resto com o acto em si.

Visita presidencial à Índia 

O hábito de os convidados pagarem as suas próprias despesas parece de elementar justiça, mas pelos vistos era até agora pouco frequente. Ao Presidente da República compete promover e facilitar os contactos empresariais, mas não oferecer viagens nem estadias. Cavaco esteve bem neste aspecto e também na pré-selecção a que submeteu os convidados. Só foram aqueles que demonstraram interesse e capacidade para penetrarem no mercado indiano.

quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

Militares e polícias na rua... 

Mas ainda há dúvidas sobre a justiça dos castigos aplicados aos militares que passearam/desfilaram/piquenicaram em protesto (mal) camuflado contra o Governo? Afinal estavam à espera de quê? De palmadinhas nas costas das chefias militares e do Ministro da Defesa? É incrível o ponto a que chegou o desrespeito pela autoridade do Estado!

Temos assistido, incrédulos, a militares nas ruas a desafiarem as ordens expressas das respectivas chefias e a polícias em locais idênticos a chamarem "aldrabão" ao primeiro-ministro e até a reclamarem o "direito à greve"...

Mas será que não percebem que sendo representantes da autoridade não se podem colocar a si próprios em tais situações, digamos, pouco edificantes? Hoje estão na rua a atacar o Estado e os seus governantes e amanhã estão na mesma rua a prender ou a autuar quem desrespeita a autoridade do Estado? Com que "cara"?

Nunca se assistiu a ditaduras que evoluíssem naturalmente para democracias, mas o contrário vem nos livros. E os primeiros sinais eram deste tipo.

sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Santana Lopes (o livro e a entrevista) 

É surpreendente (ou talvez não) a incapacidade de Pedro Santana Lopes para reconhecer os seus próprios erros.

Um ano depois de ter sido demitido de funções, ainda acredita na existência de uma conspiração objectiva para o derrubar, que envolvia figuras destacadas do seu partido, o então Presidente da República, todos os partidos da oposição, comentadores políticos, jornalistas, sindicalistas, domésticas, psicólogos, bombeiros, médicos, cantoneiros, taxistas, cozinheiros, economistas, torneiros mecânicos, engenheiros, costureiras, marceneiros, dactilógrafas, estivadores, advogados... Enfim, toda uma sociedade que - por maldade uns e por ignorância outros - não se soube mostrar grata por ser conduzida por tão brilhante e esclarecido líder e desencadeou a demissão.

Mas o seu livro aí está (segundo palavras do próprio PSL, ontem já ia na 2ª edição!) para deitar por terra todas as calúnias levantadas por esse bando de conspiradores ingratos que dão pelo nome de portugueses.

PSL espera que a história lhe faça justiça, nós também! Que os líderes do futuro aprendam com os erros do passado.

segunda-feira, 6 de Novembro de 2006

Prós e Contras 


Todos os partidos de poder, quando atravessam o deserto (leia-se: quando estão na oposição) perdem uma grande parte da sua capacidade de discernimento. O PSD veio agora a terreiro queixar-se da presença constante de ministros socialistas no programa Prós e Contras e do facto de não terem sido convidadas fuguras do PSD para esgrimir o contraditório.

Ora, se bem me lembro, as oposições costumavam queixar-se do autismo dos governos, que não apareciam a justificar as medidas impopulares, que não se sujeitavam a debates públicos (muito menos em directo e em canal aberto!), que não ouviam as partes contrárias, que isto e que aquilo. Pois bem, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... e o PSD vem agora lamentar-se da presença frequente de membros do governo na televisão!

Por muitos defeitos que o programa televisivo em apreço possa ter, não pode ser apodado de favorável ou laudatório dos ministros que o frequentaram, até porque não raras vezes estes têm sido confrontados com plateias maioritariamente hostis e nem sempre bem esclarecidas sobre os assuntos em discussão.

Quanto ao facto de o PSD nem sempre ter estado representado na parte contrária, grave seria se não houvesse parte contrária! Como nos tempos em que Cavaco Silva era primeiro-ministro e só aparecia na televisão para ler comunicados, sem direito a perguntas dos jornalistas e muito menos a contraditório por parte de membros da oposição. Haja memória...

terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Haja saúde! 

O histórico buraco financeiro do Ministério da Saúde tende a ensandecer os ministros que o tutelam. A mais recente invenção de Correia de Campos para obter fundos evidencia um desespero absoluto. Não é que pretende criar uma taxa moderadora ("taxa de utilização" nas palavras do senhor ministro) para cirurgias e internamentos? Como se fosse humanamente possível moderar a doença que se contrai ou o acidente que se sofre!

Se a intenção for acabar com o Serviço Nacional de Saúde tal como o conhecemos e tal como está consagrado na Constituição da República Portuguesa, é necessário dar a cara e assumi-lo! A pretexto de obter "mais alguns tostões" (nas palavras do próprio ministro) é que não se podem realizar estes ataques encapotados a direitos constitucionalmente garantidos.

Termino com votos para o Senhor Ministro idênticos ao do personagem televisivo Frasier: "Good night and good mental health".

terça-feira, 12 de Setembro de 2006

Ainda sobre a coabitação 


Para quem temia a coabitação Cavaco / Sócrates, o HHT apresenta a prova que faltava. Afinal um deles é especialista na área do imobiliário...

quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

Corridas 


O País congratula-se com mais uma vitória, brilhante, do corredor luso-nigeriano Francis Obikwelu. Apesar de ter nascido na Nigéria e viver actualmente em Espanha, admito que possamos sentir algum orgulho por este talentoso atleta ter escolhido a nossa bandeira para abraçar no final de cada triunfo desportivo além-fronteiras. É algo que não me choca minimamente.

Choca-me no entanto que todos os anos milhares de portugueses também talentosos - ainda que em áreas não desportivas como a química, a física, a microbiologia, a engenharia... - se vejam forçados a abraçar outras bandeiras que não a nossa. O esforço organizacional e financeiro para criar condições de trabalho a estes portugueses é muito grande mas tem de ser feito agora. É importante que os nossos licenciados trabalhem algum tempo lá fora, aprendendo com experiências profissionais e académicas eventualmente mais "evoluídas", mas igualmente importante é que se criem condições para o seu regresso em tempo útil.

segunda-feira, 31 de Julho de 2006

Belgais/Bahia 


Maria João Pires excedeu-se. Quero acreditar que os problemas de saúde recentes justificarão, pelo menos em parte, a falta de respeito pelas instituições culturais e educativas portuguesas e, em última análise, pelo próprio País. Portugal tem em MJP aquilo de que mais se pode orgulhar e é certo que nem sempre soube reconhecer o mérito que, lá fora, há muito era aclamado.

No entanto, a arrogância com que reclamava apoios financeiros para o seu projecto de Belgais, que é sem dúvida meritório, sempre me provocou estranheza e até alguma irritação. O mérito artístico não pode justificar caprichos autoritários que, não raras vezes, configuravam chantagens públicas com o Estado Português.


NOTA: Desejo o maior sucesso para o projecto Belgais II, desta vez na Bahia, e aproveito o mote para aconselhar a MJP maior moderação quando solicitar (exigir?) apoios ao Estado Brasileiro. É que nem todos os governantes têm a paciência dos nossos...

quinta-feira, 13 de Julho de 2006

Uma Batalha ganha 

A recuperação do Cinema Batalha representa uma vitória na guerra contra a desertificação da baixa portuense, ainda que muito haja ainda a fazer. O espaço está decorado com sobriedade e bom gosto, a música ambiente é escolhida criteriosamente e o serviço, não sendo de deslumbrar, também não compromete.

A vista oferecida pelo bar situado na cobertura do edifício é única.

quinta-feira, 6 de Julho de 2006

Por Ruas e Vielas 

As declarações irreprodutíveis de Fernando Ruas são reveladoras de uma forma de exercer o poder autárquico que nos parecem, hoje, passados que são 32 anos sobre o 25 de Abril, algo de inconcebível.
O apelo à lapidação dos inspectores do Ministério do Ambiente representa o grau zero da política.
Exige-se que o Ministério Público cumpra a sua função.

terça-feira, 4 de Julho de 2006

Goleada 

Sócrates já deu goleada neste Mundial 2006. A substituição de Freitas do Amaral e consequente mini-remodelação governamental foi, provavelmente, a menos contestada de sempre. A Oposição, à semelhança da generalidade da opinião pública, está com o corpo em Portugal mas com a cabeça na Alemanha. Ditosa pátria...

quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

Escolas 


A decisão de fechar um tão elevado número de escolas um pouco por todo o país é, no mínimo, discutível. O facto de estas escolas estarem maioritariamente localizadas em regiões do interior, assoladas pela desertificação, torna necessário um cuidado redobrado na apreciação de cada caso.

É certo que os recursos ministeriais são escassos e que é possível proporcionar melhores condições de ensino se esses recursos forem canalizados para estruturas centralizadas, todavia, essa centralização arrancará os poucos jovens e crianças que ainda restavam e, em muitos casos, os seus pais, também eles jovens e indispensáveis ao combate urgente contra o êxodo rural.

Sócrates diz que esta decisão não é por uma questão de dinheiro. Não é verdade. Trata-se de uma decisão motivada por preocupações financeiras, legítimas, mas que devem ser assumidas enquanto tal. De igual forma, devem ser estimados (e publicados!) os custos, também eles financeiros e de sustentabilidade territorial associados ao encerramento destas escolas. A política (gestão da coisa pública) só pode ser feita assim, com transparência.

terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

A ver 

O último de Woody Allen: "Match Point". Para além da fotografia, da banda sonora, do argumento e de tudo o resto, Scarlett Johansson está de cortar a respiração.

segunda-feira, 23 de Janeiro de 2006

50 e picos 

Cavaco foi eleito presidente da República à primeira volta. Atendendo à tradição portuguesa dos dois mandatos consecutivos, será um exercício terapêutico começar desde já a identificar quem estará em melhores condições para unir a esquerda daqui a dez anos. Para estas eleições também parecia fácil e foi o que se viu...

Uma ideia de Europa 

A idiossincrasia da Europa está, para Steiner, nos seus cafés. Não nos bares assépticos da América do Norte, quase sempre vazios, melancólicos e com uma irritante música de fundo, mas nos cafés de Pessoa, barulhentos, medianamente limpos e povoados por clientes habituais que constituem amostras do universo da respectiva metrópole.

Outro ponto de ancoragem da identidade europeia é a distância pedestre entre as metrópoles. A Europa pode ser percorrida a pé e até as cordilheiras se encontram salpicadas por abrigos de montanha, da mesma forma que os nossos parques urbanos estão equipados com bancos de madeira para permitirem o justo descanso dos viajantes.

Também por estes motivos se torna evidente que a afirmação europeia ante a inevitabilidade da globalização só pode ser iniciada quando for reconhecido o timbre cultural que historicamente enformou esta civilização.

A actual geração de líderes europeus tem a suprema responsabilidade de transmitir aos vindouros um legado milenar que não pode ser comprometido por critérios de oportunidade comercial ou quaisquer outros de idêntico teor. A Europa não precisa de se afirmar em antítese ao Estado Unidos, mas também não o deve fazer em colagem excessiva e acrítica.

O facto de Barroso ter chegado onde chegou diz-nos quase tudo sobre a Europa que temos.

quarta-feira, 18 de Janeiro de 2006

Aceita-se Procurador-Geral da República 

Oferece-se: remuneração compatível.
Exige-se: escolaridade obrigatória, nacionalidade portuguesa, boletim de vacinas em dia, domínio básico de MsExcel na óptica do utilizador.

quarta-feira, 4 de Janeiro de 2006

Crucifixos 

Assiste-se hoje um pouco por todo o mundo ocidental ao progresso da investida laicista dos governos, com o intuito de satisfazer as aspirações - mais ou menos confessáveis - de alguns sectores da sociedade que, travestidos de republicanos e laicos, pretendem em boa verdade a instituição de estados anti-religiosos e não apenas laicos, como nos pretendem fazer crer.
A proibição dos crucifixos nas escolas é uma medida que, enquanto católico, não me choca. Tenho no entanto sérias dificuldades em perceber que haja portugueses que se sintam chocados com a representação de um “homem pregado numa cruz”.
É uma imagem “violenta” para as crianças, advogam os ditos laicos. Convém todavia relembrar a essa legião crescente de palerminhas acobertados por obscuras teses da pedopsiquiatria, que a “violência” de alguém que, há dois mil anos, terá morrido na cruz para salvar todos os homens não é de forma alguma comparável às decapitações, atropelamentos, bombardeamentos e outras idiotices de igual quilate que as inocentes criancinhas sorvem avidamente através dos videojogos, da TV e da Internet.
O ridículo atingiu-se já no Estados Unidos, com a proibição de referências oficiais ao Natal. As instituições devem apenas referir termos inócuos e consensuais com os “feriados”, as “festas” ou as “férias” do final do ano.
O preço a pagar por esta investida anti-religiosa será altíssimo. Aliás, a recente polémica em torno da referência à matriz cristã na futura Constituição Europeia foi já um claro alerta da debilidade cultural dos líderes europeus, que teimam em não querer perceber que a afirmação dos valores cristãos – inequivocamente fundadores da Europa tal como a conhecemos hoje – é a mais eficaz e duradoura política antiterrorista de que podem dispor.

segunda-feira, 28 de Novembro de 2005

Rigor, seriedade, competência e... muito voluntarismo 






Podia ser um "slogan" estafado de mais um candidato presidencial... mas é o lema não oficial do Banco Alimentar.

Esta organização é, sem sombra de dúvida, um exemplo de cidadania participativa. Mais do que um projecto de caridade "salazarenta", trata-se de um conceito-acção de verdadeira solidariedade social, que se conseguiu afirmar ante a indiferença e a desconfiança generalizada dos portugueses.

O sucesso estrondoso da campanha deste fim-de-semana justificou a máxima: "não é importante que haja poucos a dar muito, mas sim que haja muitos a dar pouco". Assim foi.

Quem, como eu, esteve no armazém do Banco a receber os produtos - que chegavam em torrente - não podia deixar de sentir um genuíno orgulho em ser português, em verificar que a máquina consumista e individualista em que nos tornámos ainda tem alguns "bugs" de solidariedade a lembrar-nos que, antes de sermos "isto", éramos homens.

Com notícias assim, apetece pôr a bandeira de Portugal à janela!

quarta-feira, 16 de Novembro de 2005

Cavaco na TVI 

A entrevista concedida, com notório enfado, por Cavaco Silva à TVI foi ela própria enfadonha.
Nem a arrogância gratuita de Constança Cunha e Sá afastou o "Professor" do discurso que tinha delineado para aquela entrevista e que, sublinhe-se, não podia ser mais previsível.
Numa frase, Cavaco tem isto para dizer aos portugueses: "Um tecnocrata na Presidência aumenta a confiança dos investidores e, por essa via, contribui para a retoma económica".
Como diria Soares, "é curto" para um Presidente da República.

De afronta em afronta 

A verdadeira questão de fundo relativamente ao despacho do ministro Mário Lino não é a tese, rebuscada, de se estar a desautorizar o primeiro-ministro no que respeita aos compromissos assumidos sobre o metro do Porto. É, à semelhança do que aconteceu recentemente com a eliminação da linha do TGV entre Porto e Vigo, uma afronta gravíssima a toda a Área Metropolitana do Porto (cuja Junta, note-se, é uma não-entidade).

sexta-feira, 4 de Novembro de 2005

Anúncio de Jornal 

Bom negócio.
Troco tabuleiro de xadrez, em bom estado, por fotografias antigas tiradas em residência na zona de Elvas.

sexta-feira, 28 de Outubro de 2005

Aí está... 

... o resultado de termos um Presidente da Câmara que não se considera representante de uma região.
Segundo notícias recentes será intenção do Governo que o TGV venha a ligar o Porto a Lisboa (com paragem em Leiria?!) e Lisboa a Madrid. A ligação entre o Porto e Vigo é afastada dos planos da Administração Central.
O que dirá ou fará Rui Rio relativamente a esta afronta? Muito pouco ou nada, atendendo à percepção que tem dos poderes que lhe foram atribuídos a 9 de Outubro...

sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

Tanto haveria a dizer... 

... sobre os resultados das eleições autárquicas, sobre o Orçamento de Estado, sobre a candidatura de Cavaco Silva... mas infelizmente (ou felizmente!), não temos tempo!

Talvez esta limitação se revele positiva a médio prazo. O que aqui se escrever sobre estes temas resultará de uma digestão mais demorada e não estará tão condicionado por estados de alma momentâneos.

Este blogue atravessa uma fase em que todos os copos se encontram "meio cheios" e não "meio vazios", daí o "wishful thinking" do parágrafo anterior.

sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

Debate autárquico sobre o Porto (RTP 1) 

Para começar, uma constatação óbvia: o vencedor (mais do que surpreendente) foi Rui Sá.
Dito isto, poder-se-á acrescentar que Assis desperdiçou uma excelente oportunidade para demonstrar a sua superior preparação para ocupar a presidência da autarquia portuense. Quem apenas o ficou a conhecer por via deste debate não terá ficado com a melhor impressão.
Claro que Rio continuou no seu estilo crispado e irritadiço, mas esperava-se melhor réplica por parte do candidato socialista. Principalmente depois de este último ter lamentado durante toda a campanha a pouca disponibilidade de Rio para debates.
O "coelho" que Rio tirou da cartola foi de mau gosto e, dizem-no fontes seguras, nem sequer corresponde inteiramente à verdade. Assis reagiu à provocação de forma correcta e em tempo útil.
Teixeira Lopes foi um não participante no debate. Apenas se dava pela sua presença quando um dos jornalistas, perante a apatia continuada do bloquista, o interpelava sobre algum assunto.

Rui Sá, apesar de se encontrar na posição incómoda de crítica a um executivo do qual fez parte, soube ocupar de forma exemplar um espaço significativo do debate e atingiu plenamente os seus dois objectivos principais: anular Teixeira Lopes e evitar a bipolarização Rio-Assis do debate.

Ainda o debate autárquico 

É exasperante continuar a ouvir Rio dizer que o presidente da CMP é apenas o líder da autarquia portuense!
Esta visão paroquial do poder que lhe caiu nas mãos há quatro anos é hoje inexplicável. Enquanto não se avançar para a imprescindível e cada vez mais necessária regionalização, a verdade é que se não for o presidente da CMP a funcionar como factor de pressão regional junto da Administração Central, não será seguramente o líder da Junta Metropolitana a fazê-lo! E é esta componente simbólica do poder confiado aos presidentes da CMP que Rio se recusa, teimosamente, a exercer.

A blogar desde Setembro de 2003 

Já soprámos mais uma velinha. O bolo é ainda mais pequeno do que em anos anteriores e o "champanhe" desta vez é vinho espumante nacional. O céu continua negro, tal como há dois anos atrás.
Começo a ficar farto de escrever sobre um país em crise.

quinta-feira, 29 de Setembro de 2005

Na esplanada... 

- Queria uma garrafa de água, por favor.
- Com gás ou sem gás?
- Pode ser com gás.
- Fresca ou natural?
- Fresquinha.
- Com radiações "alfa" ou "beta"?
- ?!

quarta-feira, 28 de Setembro de 2005

Valentins há muitos! 


"Uma Campanha Alegre" 

Sem partido, sem figuras públicas, sem fazedores de opinião, sem consensos, sem sondagens, sem tecnocratas.
É difícil resistir ao charme do último candidato romântico.

segunda-feira, 26 de Setembro de 2005

Preocupação 

No próximo dia 9 de Outubro apenas 4 resultados eleitorais são, para mim, verdadeiro motivo de preocupação: Oeiras, Amarante, Felgueiras e Gondomar.

sexta-feira, 23 de Setembro de 2005

O vómito 

O circo montado à volta do regresso de Fátima a Felgueiras induz o vómito de qualquer democrata. Convém não esquecer o que aconteceu em Felgueiras em 2003 e, já agora, revisitar o post de 3.10.2003, aqui no HHT ("Causas e Consequências").

sexta-feira, 16 de Setembro de 2005

Portocentrismo 

Ontem à noite valeu a pena ir ao Majestic. E não só para matar saudades do espaço. A tertúlia organizada pelo Sport Club do Porto teve como moderador Carlos Magno e como convidado Francisco Assis.
Pelas outras mesas encontravam-se alguns cidadãos menos anónimos como Pedro Bacelar de Vasconcelos, Correia Fernandes e Braga da Cruz.
Assis demonstrou o que já se suspeitava. É infinitamente melhor do que aquilo que a sua imagem deixa transparecer. Há claramente responsabilidades a imputar aos seus responsáveis de campanha por não conseguirem tornar evidentes à opinião pública as inegáveis qualidades políticas do candidato.
A tertúlia animou quando Carlos Magno interrompe abruptamente Assis e pergunta "Afinal qual é o problema do Portocentrismo?". Há tabus que a cidade precisa de ultrapassar! O receio de ser "parolo" é uma forma de "parolismo", quanto a isso não haverá grandes dúvidas.
Assis afirmou a sua disponibilidade para afrontar a Administração Central e ressalvou, de forma prudente, que não estará nunca em causa a relação privilegiada com Lisboa, enquanto cidade com a qual o Porto partilha desafios comuns.
Falou-se ainda de arquitectura portuense, Kant e o positivismo, estacionamentos na baixa, "media park", Futebol Clube do Porto, parques tecnológicos, transportes públicos, sociedade de reabilitação urbana, institutos de investigação, captação de investimento estrangeiro, envelhecimento, fuga de competências, parques verdes, regionalização…
As farpas de Assis ao candidato Rui Rio podem ser resumidas da seguinte forma: "Não é aceitável que um político esteja sempre a vangloriar-se da sua honestidade, pelo simples facto de esta ser um requisito inerente à condição de qualquer político e não um qualquer suplemento extraordinário apenas possuído por alguns escolhidos."
Em suma, foi um exercício de cidadania e participação democrática interessantíssimo, mas que lamentamos ocorrer apenas em época eleitoral, apesar das promessas ontem formuladas em sentido contrário.

segunda-feira, 5 de Setembro de 2005

A jóia da república 

O Homem-a-Dias diz acertadamente que "Nem francesas, nem italianas, nem brasileiras, nem americanas: o verdadeiro artigo mora na Hungria"! Há poucas semanas fui guiado no edifício do Parlamento Húngaro por uma nativa cuja beleza me fez esquecer por momentos o verdadeiro motivo da visita. As jóias da coroa não eram com toda a certeza uma coroa amarfanhada e um ceptro manhoso, atirados para cima de uma almofada de veludo e fechados naquela caixa envidraçada à minha frente. A guia, cujo nome não cheguei a perceber, era a verdadeira jóia; não da coroa (que os ares agora são outros) mas da república.

quinta-feira, 1 de Setembro de 2005

Intermodalidade 


Apesar de ter estado para lá da cortina de ferro durante cinco décadas, Budapeste tem hoje uma das mais eficientes rede de transportes urbanos da Europa, servindo uma população de 2 milhões de habitantes. A articulação entre autocarros, metropolitano e "trams" é quase perfeita e permite índices de mobilidade invejáveis para qualquer metrópole da idêntica dimensão.
Acresce o facto de existir metropolitano em ambas as margens do Danúbio, ligadas por um túnel que une Buda e Peste por baixo do rio.

quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

Ufa! (no Largo do Rato) 

Sócrates respirou de alívio ontem à noite. Alegre não quer fracturar o eleitorado socialista e abdica da sua candidatura presidencial em "favor" de Mário Soares. Não sem antes espetar alguns alfinetes envenenados no seu correligionário.
Depois de ouvir o discurso de Alegre, não se pode deixar de pensar que a sua candidatura, a realizar-se, congregaria uma parte significativa da esquerda mas seria muito pouco apelativa para o "centrão" que cada vez mais decide estas e outras eleições. Os bons candidatos, já se sabe, são aqueles que oferecem garantias de vitória e Alegre, talvez apenas neste aspecto, não era um bom candidato. O PS sabe-o desde o início e Alegre também. Soares "apenas" tirou partido do facto.
Entretanto Belmiro de Azevedo já manifestou apoio à eventual candidatura de Cavaco, tendo sido apoiante de Mário Soares nas suas anteriores candidaturas presidenciais. Adivinha-se a explicação para esta mudança, mas será interessante ouvi-la da boca do próprio.
Ou é o argumento da idade ou o da formação em Economia/Finanças. Salvo notícia de última hora, Belmiro não é jovem e tem uma formação de base em engenharia, continuando hoje a dirigir, com resultados positivos, o seu Grupo de dimensão internacional.

Incêndios lá fora 

Um post do "Rua da Judiaria" que deve ser enviado urgentemente à malta que (des)coordena a prevenção e o combate a incêndios em Portugal. Além de dar um exemplo interessante tem ligações a documentação relacionada com medidas preventivas. Um post de serviço público.

segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

Imitando o mundo do futebol 

As declarações de Paulo Morais à Visão não podem surpreender. Estão na mesma linha de outras proferidas por dirigentes desportivos que, em alturas de maior aperto financeiro e/ou desportivo, lançam acusações em todas as direcções, suspeitando de tudo e de todos mas sempre sem indicarem um único nome, uma única situação concreta.
O anátema lançado por Paulo Morais - oportun(istic)amente após a exclusão da lista eleitoral autárquica do PSD/CDS - sobre membros do Governo, presidentes de câmara, vereadores, empresários da construção civil e outros elos da "cadeia de pressões" que ele afirma conhecer profundamente não o dignifica e permite diversas especulações sobre a sua idoneidade para o exercício do cargo durante o mandato que ora finda.

terça-feira, 23 de Agosto de 2005

Pode ser que não volte a acontecer! 

Admito que desconheço o custo de um desfibrilador portátil, mas a realidade é que no aeroporto de London-Stansted (que está para os grandes aeroportos como a Zara está para a Hermés) encontra-se um destes equipamentos de emergência em cada corredor de embarque.
Vem esta reflexão ainda a propósito da discussão em torno da morte de Miklos Fehér. Alguém disse que não era comportável dispor de um desfibrilador em cada estádio de futebol, não foi?

Sem surpresa 

Tal como se previra no último post antes de férias, Soares avançou para a pré-candidatura presidencial, esmagando Manuel Alegre que, antes dele, se fizera ao mesmo caminho.

É no mínimo divertido assistir às dores tomadas pela Direita relativamente ao destino de Alegre. Quem lhes adivinharia tanta preocupação pelos sentimentos feridos do poeta tantas vezes apodado por esta mesma Direita de "extremista radical do PS"? Mas compreende-se que o nervosismo vá aumentado à medida que o tempo passe e o Professor continue silencioso.

Já aqui foi dito que não é um bom augúrio de maturidade democrática a candidatura de Soares. Ainda que, atendendo às restantes pré-candidaturas (mais ou menos assumidas), seja aquela que, aparentemente, melhor servirá os interesses do país. O argumento da idade, por ser ridículo, nem merece comentário nestas linhas!

É, isso sim, de lamentar que o sistema democrático tenha sido incapaz de produzir, nas gerações posteriores à de Soares, políticos com condições de desempenhar o cargo com igual ou superior competência. Pensemos por instantes nas eleições presidenciais que se seguirão... Cavaco não arriscará uma terceira derrota eleitoral e, portanto, não será candidato; Soares, dificilmente terá condições físicas e psíquicas para se recandidatar. O "vazio" à esquerda poderá então ser preenchido por Vitorino, Alegre, Gama ou Guterres, mas... e à direita?

sexta-feira, 22 de Julho de 2005

Presidenciais 

Cavaco está a jogar bem. Lançar a candidatura após as autárquicas (será imediatamente após, ou nem por isso?) limita ainda mais a actuação da Esquerda. Vejamos:

(1) Se lançar um candidato antes das autárquicas, este será imolado na praça pública sem hipóteses de retaliar, por ausência de opositor assumido.

(2) Se lançar um candidato após as autárquicas (hipótese mais provável) terá dificuldades em "vender", em tão pouco tempo, um qualquer perfil mais adequado à função do que Manuel Alegre, mas menos mediatizado (como Carlos Monjardino).

Perante estes cenários, a terceira via consiste na (pouco) surpreendente recandidatura de Mário Soares que, estatisticamente, seria a mais favorável à Esquerda de acordo com todas as sondagens.

Esta "solução" é sintomática do estado da Nação. Apesar de tudo, a melhor opção para o futuro parece ser o regresso ao nosso passado.

sexta-feira, 8 de Julho de 2005

Viver entre dois atentados 

Temo bem que os próximos tempos continuem marcados pela "rotina do terror" com que fomos brindados neste início de milénio.
Não sabemos onde nem quando, mas sabemos que vai voltar a acontecer.
A nossa condição permanente passa a ser "entre dois atentados". Inaugurou-se uma nova escala cronológica, universal e vergonhosa!

quarta-feira, 6 de Julho de 2005

Entrevista à SIC 

Entrevistadores muito "tenrinhos". Sócrates bem preparado.
Porém, uma falha monumental...
A comparação entre Fernando Gomes e Ferreira do Amaral consistiu em justificar uma má nomeação com outra ainda pior! No melhor pano...

terça-feira, 5 de Julho de 2005

Cidade surpreendente 

Acho que aquela esplanada é a dos Ingleses.

O ex-comandante da Nação 


A casa das máquinas da Nação 


O painel de comandos da Nação 


quarta-feira, 22 de Junho de 2005

Por que motivos se morre na construção em Portugal - 2 

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Por que motivos se morre na construção em Portugal - 1 

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Morgavel 

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terça-feira, 21 de Junho de 2005

Há anos assim... 

Em Salvador da Bahia para fugir à invernia e em Budapaste para fugir à canícula.

terça-feira, 14 de Junho de 2005

Passeio Alegre 

Chegaram tarde à minha vida
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausica, mas só
no jardim do Passeio Alegre
comecei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos
vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,
para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis — assim nuas.


Eugénio de Andrade, "Rente ao Dizer" (1992)

segunda-feira, 13 de Junho de 2005

Luto portuense 

A cidade acordou sob um céu plúmbeo.
Imagino que no Passeio Alegre chovesse copiosamente e que as palmeiras estivessem curvadas pelo vento que sopra da barra.
O Eugénio morreu e este blog ficou irremediavelmente mais pobre.

Numa mão a pena e na outra a espada 

Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.
Como dizia pela manhã Eduardo Lourenço, foi o século XX que se veio despedir de nós esta noite.

terça-feira, 7 de Junho de 2005

Nestes últimos tempos 

Nestes últimos tempos é certo que a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?


Sophia de Mello Breyner Andresen, Julho de 1976

segunda-feira, 6 de Junho de 2005

Mais uma vez! 

A histeria generalizada relativamente à reforma dos políticos traduz aquilo que de mais tacanho subsiste na psique lusitana. A pequena inveja.
Aposto dobrado contra singelo que a imensa maioria dos jornalistas que acusam certos políticos de falta de ética seriam os primeiros a não recusar direitos legalmente adquiridos.
Estas manifestações degradantes aconteceram no passado recente com Fernando Pinto, acontecem agora com Alberto João Jardim e acontecerão no futuro. Triste.

sexta-feira, 3 de Junho de 2005

Este blog mantém a sua tradição premonitória (cf. post de 22/07/2004) .

Obras Públicas 

Num contexto de contenção financeira e verbal generalizada, é delicioso assistir ao discurso de Mário Lino. Percebe-se a necessidade do ministro em declarar quase diariamente à comunicação social o arranque iminente de vultuosas obras públicas como a linha do TGV e o aeroporto da OTA. Por um lado, sossega o destroçado sector da construção e por outro exorciza os seus fantasmas pessoais... É que tanto ele como os seus colegas de Executivo sabem que nenhuma das duas obras arrancará nos tempos mais próximos.

N. do A. 

A ausência de posts recentes fica-se a dever a uma intensificação do contributo pessoal do autor destas linhas para o aumento da competitividade das empresas portuguesas.

terça-feira, 10 de Maio de 2005

Campo Aberto 

Mais um exercício de cidadania com sotaque nortenho.
A Campo Aberto inaugurou o seu blog e daqui envio os meus parabéns ao Nuno Quental pela sua invulgar capacidade de iniciativa.

terça-feira, 26 de Abril de 2005

Com a devida vénia à "Natureza do Mal" 

Faço questão de reproduzir aqui uma constatação que, apesar de óbvia (e talvez por isso), é desconcertante:

O problema não é a vida sem ti. Já tive uma vida assim e eram dias que faziam todo o sentido. Difícil é uma vida depois de ti. O depois não acaba nunca.

terça-feira, 29 de Março de 2005

Até quando o "estado de graça"? 

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Terror de te amar 

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 19 de Março de 2005

Discrição/Confidencialidade/Sigilo/Prudência Socrática 

Após um longo retiro (forçado pelas circunstâncias do país que nos aconteceu) apetece-me novamente escrever sobre política. Falta-me a matéria...

Regressarei 

Eu regressarei ao poema como à pátria à casa
Como à antiga infância que perdi por descuido
Para buscar obstinada a substância de tudo
E gritar de paixão sob mil luzes acesas.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

quarta-feira, 16 de Março de 2005

Deslumbramentos

Milady, é perigoso contemplá-la
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, seguindo-lhes as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!…

Em si tudo me atrai como um tesoiro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de oiro
E o seu nevado e lúcido perfil!

Ah! Como me estonteia e me fascina…
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!…

Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Britânica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e música no andar!

O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pêlo dum regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.

E enfim prossiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramática, cortante;
Que eu procuro fundir na minha chama
Seu ermo coração, como a um brilhante.

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão-de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos - as rainhas!

Cesário Verde


E agora? 

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quarta-feira, 12 de Janeiro de 2005

Outdoor 

Ia escrever sobre a recusa de Cavaco em aparecer ao lado de Santana nos outdoors de campanha, mas percebi imediatamente que o facto político verdadeiramente relevante (e esse sim, intrigante!) foi o facto de Barroso e Balsemão não terem idêntica atitude. Sobre uma eventual recusa de Sá-Carneiro, tenho a minha teoria que me abstenho de publicar, concordando com Pacheco Pereira: já que Santana não respeita os mortos, pelo menos façamo-lo nós.


Um país ex-bipolar 

A previsível continuação da não-retoma económica poderá ser a terapia que faltava para combater a doença bipolar de que padecia uma quantidade muito significativa de portugueses. De facto, se até aqui praticavam a transumância da depressão profunda para a euforia inabalável ao ritmo de uma exposição universal ou de um campeonato europeu de futebol, o prolongamento da "crise" provocou a ancoragem emocional no pólo depressivo e dificilmente se vislumbram novas alterações no quadro clínico.


sexta-feira, 31 de Dezembro de 2004

O meu desejo para 2005 

Que este 2004 pré-socrático represente o nível zero da política portuguesa.
Que em 20 de Fevereiro de 2005 nos recordemos da eterna limpidez de Sophia e possamos dizer que entramos finalmente no ano que esperávamos, no mês inicial inteiro e limpo onde emergimos da noite e do silêncio e livres habitamos a substância da democracia.


sexta-feira, 17 de Dezembro de 2004

A inércia 

Da recente entrevista de Eduardo Lourenço ao jornal "O Diabo" retive uma ideia-chave para a interpretação da infindável novela da adesão turca: "a construção da União Europeia está a fazer-se por inércia".
É notório que o alargamento ocorre sem qualquer sustentação numa matriz idiossincrática comum (e agradeço encarecidamente que não me venham aborrecer com a Constituição Europeia).
Alargamo-nos até onde nos permitem os mares e a Rússia. Não haja ilusões, o chamado "projecto europeu", actualmente, resume-se a isto!


terça-feira, 30 de Novembro de 2004

Os Diários de Che Guevara 

Este filme, apesar de assentar numa narrativa sofrível, constitui um "quase-documentário" sobre a América Latina actual. A fotografia, notável, procura retratar gentes e lugares que, nos anos 50, procuravam uma identidade perdida algures entre a tradição indígena e a cultura colonial.
Estes "diários de motocicleta" (no título original) são o relato de uma viagem interior pela coordenadas de uma utopia em gestação. Aqui se traça o retrato de um sub-continente que ainda hoje permanece unido por sonhos e por misérias comuns.


segunda-feira, 15 de Novembro de 2004

O mundo a seus pés 

O cenário do Congresso de Barcelos era assumidamente inspirado em Orson Welles. Quem não imaginava Kane ao ver Santana a discursar no palanque?
O globo envolvido pela seta laranja também "dava uns ares" do logotipo da agência espacial norte-americana, mas essa associação já não era tão imediata.
Ideias e projectos para o país é que não se vislumbraram, mas isso também ninguém esperava.


quarta-feira, 3 de Novembro de 2004

Congratulations Mr. Bush! 



Texas rules! 

A vitória de Bush é quase inexplicável aos olhos da "Velha Europa". Mas deve ser lida antes de mais como um sinal claro de alerta. Não conhecemos verdadeiramente os Estados Unidos. Esta falta de conhecimento pode explicar muitos dos equívocos recentes ao nível da diplomacia transatlântica.


terça-feira, 19 de Outubro de 2004

Primeiro Aniversário 

Este blogue completou o primeiro aniversário no passado dia 26 de Setembro mas não está de parabéns. Longe disso!
A frequência de escrita tem sido, nos últimos meses, miserável.
Apesar do mau serviço, este não será com toda a certeza o último aniversário do "Hoje Há Tripas". Apesar da falta de tempo, permanece intacta a vontade de pertencer à globosfera, local ainda arredio dos devaneios censórios de Santana Lopes.

terça-feira, 12 de Outubro de 2004

Tragicomédia 

Aumentos na função pública e descida do IRS!
Confirmam-se as suspeitas antigas de que a governação demencial de PSL sairia muito cara ao país...


quarta-feira, 6 de Outubro de 2004

PCP 

A anunciada não recandidatura de Carlos Carvalhas a secretário-geral do Partido Comunista Português poderia ser uma lufada de ar fresco, um sinal de renovação, uma frincha de aggiornamento, qualquer coisa de sinal positivo para o partido e para a sociedade portuguesa. Mas sabemos que não será nada disto e muito provavelmente será o seu contrário!
Preparemo-nos para uma demonstração inequívoca do triunfo interno da ultra-ortodoxia comunista.


terça-feira, 28 de Setembro de 2004

E o Porto aqui tão perto... 

A cidade vai despertando na blogosfera. Lá fora, na (outra) realidade a afirmação é mais lenta mas vai chegar.


sexta-feira, 24 de Setembro de 2004

Professores em casa 

Há um anúncio publicitário radiofónico que devia ser banido imediatamente. Uma instituição de ensino superior que lecciona cursos orientados para o ensino afirma descaradamente e várias vezes ao dia que "Portugal precisa e precisará sempre de professores... e muitos!".
Isto não é publicidade enganosa, é um acto criminoso.


domingo, 19 de Setembro de 2004

Ser ou não ser? 

Um blogue com sabor dinamarquês e imagens de Cuba, alojado afectivamente numa cidade de ruas largas, fervilhante de comércio e com casinhas de dois andares pintadas de todas as cores possíveis.
É pecaminoso reduzir a mítica cidadezinha de Helsingor ("Elsinore" em inglês) ao Castelo de Kronborg. Para além deste ex-libris shakespeariano, Helsingor tem um portinho de pesca absolutamente delicioso, jardins interiores de uma beleza comovente e um vento cortante que nos empurra para a policromática rua principal, densamente percorrida por hordas de suecos e onde tudo se vende e quase tudo se compra.
Ao alcance da vista temos Helsinborg, do outro lado do estreito, que apesar de estar sob bandeira sueca mais parece uma continuação da dinamarquesa Helsingor, mas com um perfil mais cosmopolita e onde pontua um bairro de casinhas de madeira do século XVI encravado entre bairros aristocráticos e delegações de empresas multinacionais.
"Ser ou não ser?"... Carla ou Ophelia?

quarta-feira, 15 de Setembro de 2004

Arrifana 


Castro Laboreiro 


sábado, 11 de Setembro de 2004

Aniversário do terror 

Hoje, há três anos atrás, assitia em directo televisivo ao embate do segundo avião contra uma das torres do WTC.
Nos minutos e horas seguintes tentei em vão contactá-la.
Do outro lado da linha, no apartamento de San Francisco, niguém atendia o telefone e o medo começava a ganhar terreno à medida que os ponteiros avançavam no relógio da sala, onde a televisão debitava notícias contraditórias e especulava sobre as imagens repetidas vezes sem conta.
O telefonema pacificador só chegou algumas horas depois do embate. Foi como se, até aí, o tempo tivesse parado e nada fizesse sentido. Nesses momentos, as vítimas do ataque terrorista resumiam-se a uma parte de mim que vivia na Costa Oeste.
Chega a ser obsceno o egoísmo humano, mas a verdade é que deste dia 11 de Setembro recordo principalmente o telefonema que me devolveu a tranquilidade roubada pelas notícias da barbárie.


quinta-feira, 9 de Setembro de 2004

Prova de vida 

Se houvesse uma entidade que regulasse a blogosfera, a primeira atribuição devia ser a instituição da obrigatoriedade de realizar provas de vida no blog sempre que não se publicassem posts durante mais de quinze dias consecutivos.

terça-feira, 24 de Agosto de 2004

Eternuridades 

Absolutamente imperdível a mais recente sequência de "posts" do Luís Gouveia Monteiro sobre "amores trágicos" (a expressão é dele, para mim trata-se de um pleonasmo).

"History will be kind to me for I intend to write it" (W. Churchill) 

O período estival foi fértil em derivas erráticas do nosso, também ele errático, PM. Guiado por critérios básicos de higiene mental, abstive-me de as comentar neste espaço.
Este período de repouso do Portuense, repartido de forma patriótica entre o Alto Minho e o Algarve, salpicado por incursões pelo Alentejo e pela Estremadura serviu para confirmar uma suspeita antiga. Ninguém leva PSL a sério (a começar pelo próprio PSL), o que poderá ser uma perigosa vantagem em próximos escrutínios eleitorais. De facto, com expectativas tão baixas, a simples abstinência de erros de governação grosseiros pode ser um trunfo!

terça-feira, 10 de Agosto de 2004

Lisbon Revisited 

(...)
Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer cousa?

Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que haveremos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
(...)

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

(Fernando Pessoa, "Lisbon Revisited", 1923)

A rivalidade entre o Porto e Lisboa (1872) 

(...) existe uma incurável rivalidade moral, social, elegante, comercial, alimentícia, política, entre Lisboa e Porto. Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem-estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho. Detestam-se. As damas de Lisboa riem-se da pouca distinção, da pequena ciência, da falta de chique e de quê das toilettes do Porto? O Porto, rubro de ódio, cobre as suas senhoras da sumptuosidade dos estofos e das faíscas dos diamantes. (...)

O Porto tinha a Foz, a praia de banhos, rica, de um grande pitoresco de paisagem. Lisboa, rancorosa, improvisa Cascais, sítio enfezado entre pinheiros éticos e rochedos de ópera cómica.

(Eça de Queirós, "Uma Campanha Alegre")



quarta-feira, 28 de Julho de 2004

Serviço Público 



Porque problemas extraordinários exigem respostas extraordinárias, o HHT presta aos leitores um serviço gratuito de consultoria ambiental, passando a informá-los do seguinte:

O D.L. n.º 310/2002, de 18 de Dezembro, regula o regime jurídico do licenciamento do exercício e da fiscalização de diversas actividades, com particular destaque para a realização de fogueiras e queimadas (Art. 39º e Art. 40º, respectivamente).
No âmbito do referido diploma, estas actividades "carecem de licenciamento municipal", sendo referida expressamente a proibição de "fazer queimadas que de algum modo possam originar danos em quaisquer culturas ou bens pertencentes a outrem". A câmara municipal "pode autorizar a realização de queimadas, mediante autorização prévia dos bombeiros da área, que determinarão as datas e os condicionamentos a observar na sua realização".

Mais um exemplo a confirmar o que todos sabemos. A legislação existe, está "bem feita", é inequívoca, apenas enfermando do mal de não ser cumprida.

P.S. - Confrontado profissionalmente com a necessidade de licenciar uma queimada junto da câmara municipal da área em questão, não pude acreditar no que ouvia quando, do outro lado do linha, me afirmavam a pés juntos ser esta uma competência do Governo Civil... Estudei melhor a questão e cheguei à conclusão que o diploma a que se referiam com tanta segurança havia sido revogado há dois anos (pelo acima referido D.L. 310/2002)!! 
Num país onde quem fiscaliza desconhece a legislação em vigor, serão de espantar incêndios como o da Arrábida?

O Santana do PS 

Ainda a propósito da última entrevista de Sócrates ao Expresso, importa reconhecer que se confirmam as semelhanças entre Santana e Sócrates, principalmente no que diz respeito à carência flagrante de ideias políticas, à superficialidade das respostas, à pose meticulosamente estudada, aos tiques pequeno-burgueses e à vacuidade confrangedora do discurso (cuidadosamente salpicado, porém, por citações que primavam por ser descontextualizadas e/ou excessivas).
Não se augura nada de bom para o futuro próximo da política portuguesa, em que o Executivo está a cargo da dupla populi Portas/Santana e a Oposição será, ao que tudo indica, liderada por Sócrates. O triunfo dos media representa, cada vez mais, o triunfo da mediocridade.

 

terça-feira, 27 de Julho de 2004

Elegia II - Da Arrábida 



Alta Serra deserta, donde vejo
As águas do Oceano duma banda,
E doutra já salgadas as do Tejo
...
Daqui mais saüdoso o sol se parte;
Daqui muito mais claro, mais dourado,
Pelos montes, nascendo, se reparte.
...
Os olhos meus dali dependurados,
Pergunto ao mar, às plantas, aos penedos
Como, quando, por quem foram criados?

Respondem-me em segredo mil segredos,
Cujas primeiras letras vou cortando
Nos pés doutros mais verdes arvoredos.
...
Punha-me a ver correr as águas frias
Por cima de alvos seixos repartidas,
Que faziam tremer ervas sombrias.

As flores, que levava já colhidas,
Passando pelos vales enjeitava
Por outras doutra nova cor vestidas.
...
Cuidei que se esquecesse nesta Serra
A dura imiga minha natureza;
Mas donde quer que vou lá me faz guerra.
...
 
(Frei Agostinho da Cruz)

Repetindo o post de 27 de Setembro de 2003, no segundo dia de vida do HojeHaTripas 

Incêndios

Flagrante contraste entre um país em chamas e outro a banhos...
Quando devíamos estar a aperfeiçoar os planos de resposta às cheias e inundações, estendemos sobre a terra queimada as várias possibilidades de combater e prevenir incêndios... Portugal continua igual a si próprio.
Ao contrário de anos anteriores, a trágica dimensão dos últimos fogos provocou um debate alargado na sociedade que, espera-se, irá frutificar em medidas efectivas para prevenir e combater este flagelo sazonal.
É inadmissível que os primeiros incêndios do Verão continuem a ser encarados com a mesma naturalidade da abertura da época de caça!



NOTA: Os 1000 hectares ardidos este ano (até ao momento) na Serra da Arrábida são absolutamente incompreensíveis se nos lembrarmos da enorme importância da flora autóctone ameaçada, dos múltiplos alertas do último Verão, dos montantes investidos em sistemas de televigilância e da pré-candidatura a património natural da Humanidade. A presença de um Secretário de Estado no local não tem, neste momento, qualquer significado que não seja o reconhecimento da flagrante incompetência do seu Executivo nesta matéria.


quinta-feira, 22 de Julho de 2004

Nobre mas pouco! 

Sem abrigo, sem conhecimentos na área, sem compatibilidades, sem vergonha!

 


 

terça-feira, 20 de Julho de 2004

Equívocos checos 

É uma sensação estranha, mas agradável, encontrar a Câmara do Porto com a sua imponência majestática a dominar a Wenceslau Square, bem no coração de Praga.
 
 

 
 
Um nativo afirma a pés juntos que o edifício alberga o Museu Nacional, mas continuo irredutível. É a Câmara do Porto!
 
 

sexta-feira, 16 de Julho de 2004

Era assim em 1873... 

Em Portugal não há uma oposição perfeitamente e fortemente constituída e assinalada, não há uma maioria consistente e robusta e para manter os apoios oscilantes o governo acode submissamente às exigências dos pequenos corrilhos, promete, desdiz, cede, transige, compra, troca, vende, intriga, e cai de fadiga, apupado e corrido.
 
(Ramalho Ortigão, "Farpas")

A propósito da morte da Memória Inventada 

 
  
 
A Memória Inventada (MI) tornou-se Missão Impossível e acabou. Era, para mim, um blogue de consulta obrigatória e dói-me retirá-lo da coluna dos "Vizinhos". Ainda não o fiz e provavelmente não o farei.
As sucessivas mortes anunciadas que varrem a blogosfera por estes dias atiram-me por momentos a imaginação para uma cama de hospital, na unidade de cuidados intensivos.
 
Há um dia em que acordo, olho para a cama da direita e vejo-a vazia. Sei mais tarde por alguém que o meu colega de quarto se tinha cansado de viver durante a noite,  enquanto eu dormia. Uma semana depois acordo com a cama da esquerda vazia e depreendo que também este colega se havia cansado de viver... Puro engano, sei mais tarde que estava perfeitamente recuperado e que, por esse motivo, fizera as malas de manhã cedo e partira lá para fora, pelo seu próprio pé, para um mundo que já só conheço pelas janelas deste quarto da UCI.
 
Tudo isto para dizer que o importante não é sair da blogosfera; o importante é saber o que se vai fazer sem ela. 
  

quarta-feira, 14 de Julho de 2004

Pablo Neruda nasceu há 100 anos e 2 dias 



A poesia acompanhou os agonizantes e estancou as dores, conduziu às vitórias, acompanhou os solitários, foi queimante como o fogo, leve e fresca como a neve, teve mãos, dedos e punhos, teve brotos como a primavera, teve olhos como a cidade de Granada, foi mais veloz do que os projécteis dirigidos, foi mais forte do que as fortalezas: deitou raízes no coração do homem.

A fuga - Parte II 

A decisão de Vitorino é a todos os níveis preocupante e lamentável.
No plano pessoal, revela uma surpreendente falta de dedicação à causa pública e um descabido tacticismo na gestão da sua carreira política.
No plano nacional, evidencia inequivocamente a baixa atractividade da política portuguesa para os seus filhos mais ilustres. Só os medíocres ficam, mas até esses o fazem apenas por falta de alternativas.
À semelhança de Durão, também Vitorino abandona o barco. A diferença é que Vitorino vai ainda mais longe e recusa-se a embarcar!


segunda-feira, 12 de Julho de 2004

Fina ironia 

Poucos minutos depois da primeira entrevista de Santana Lopes à SIC como indigitado primeiro-ministro, a RTP transmite o filme "Herói Acidental".
Não falta sentido de humor aos rapazes do serviço público!

quinta-feira, 8 de Julho de 2004

Landscape from Saint-Rémy (1889) 

Gogh, Vincent Willem Van
1853-1890



Porque a Carlsberg não é só uma fábrica de cerveja, podemos encontrar em Copenhaga, no Museu da empresa (Ny Carlsberg Glyptotek) esta admirável pintura (óleo sobre tela). Por cá, a UNICER e a CENTRAL DE CERVEJAS investem em Festivais de Verão e Queimas das Fitas...


"Van Gogh's letters document that Landscape from Saint-Rémy was painted during the second week of June, 1889. Around the 9th June he wrote to his brother, Théo van Gogh, "I am working on two landscapes (size 30 canvas), views taken in the hills, one is the country that I see from the window of my bedroom. In the foreground, a field of wheat ruined and hurled to the ground by a storm. A boundary wall and beyond the grey foliage of a few olive trees, some huts and the hills. Then at the top of the canvas a great white and grey cloud floating in the azure. It is a landscape of extreme simplicity in colouring too".

terça-feira, 6 de Julho de 2004

Porque a Poesia nunca morre 

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
e como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

("Dia do Mar", Sophia de Mello Breyner Andresen)

quarta-feira, 30 de Junho de 2004

O trampolim 



Mais uma vez confirma-se o fado lisboeta. Ninguém deseja ser presidente da Câmara... Apenas sabem que para chegar mais alto têm que cumprir a via-sacra alfacinha.
É triste para a cidade este assumido desprestígio do cargo.

i carry your heart with me 

i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate (for you are my fate,my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart)


(E. E Cummings)




terça-feira, 29 de Junho de 2004

O pântano 

Nunca antes o pântano tinha andado na boca de tanta e de tão diversa gente.
O PS (o do Porto e o outro) diz que é preciso sair do pântano provocado pelos acontecimentos da lota matosinhense. A ala cavaquista do PSD murmura que a sucessão dinástica de Durão Barroso é pantanosa. Por fim, o BE que é quem "lhes bate forte" fala num pântano político que só pode ser resolvido por eleições antecipadas.
Espera-se que a selecção nacional não se atole...

domingo, 13 de Junho de 2004

Nova(?) Democracia 

Tenho de admitir que gostava de ver o dr. Manuel Monteiro eleito para um mandato (ou mais) de eurodeputado. A ideia de sabê-lo entre Estrasburgo e Bruxelas é para mim extremamente agradável e até reconfortante - não pelo que fará no Parlamento Europeu, mas pelo facto de estar durante alguns anos a milhares de quilómetros do torrão pátrio. Sempre causará menos danos...

Verde, vermelho e amarelo 

A profusão de bandeiras nacionais nas janelas lusitanas não merece qualquer reparo negativo. Receio contudo que estas sejam tomadas por bandeiras da selecção nacional de futebol, o que já se torna preocupante.
É que deste equívoco podem resultar danos ainda maiores na auto-estima dos portugueses; o que a derrota contra a Grécia, aliás, já comprovou.

sábado, 12 de Junho de 2004

Sensibilidade e bom senso 

O respeito pela memória de Sousa Franco e pelo regime democrático exige o completo apuramento de responsabilidades pelos inqualificáveis acontecimentos na Lota de Matosinhos.
A disputa fratricida pela autarquia já há muito ultrapassou os limites da urbanidade e decência. A total ausência de decoro manifestada por ambos os lados só permite extrair uma conclusão válida. O próximo candidato do Partido Socialista à cadeira presidencial matosinhense não poderá ser nenhum dos dois actuais pretendentes. A bem da dignificação da vida política.

quinta-feira, 27 de Maio de 2004

Gelsenkirchen, 26 de Maio de 2004 




"E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando:
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Netuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta."

(Luís de Camões, "Os Lusíadas")



segunda-feira, 10 de Maio de 2004

O Porto, território dinâmico de afectos e cumplicidades 

A cidade não poderia nunca ter chegado a esta letargia! A derrota no referendo à regionalização e o apagamento comprometido dos seus mais recentes líderes autárquicos não podem explicar em absoluto o gradual desaparecimento da geografia política, social, económica e cultural a que a urbe foi votada.
O momento é particularmente grave. A cidade encontra-se refém de um modelo de gestão economicista, cujas linhas estratégicas são definidas em termos de rubricas financeiras, como se a capacidade de administração da coisa pública fosse cabalmente avaliada num relatório e contas ou numa demonstração de resultados.
O adiado sonho portuense da metrópole centralizadora (prefiro chamar-lhe aglutinadora) do Noroeste peninsular vai-se comprometendo diariamente e soçobra exangue às mãos laboriosas do empreendedor engenho galego.
Isolados na olissiponense torre de marfim, os políticos da(o) capital rejubilam sornamente com a falta de rasgo, a subserviência, o esvaziamento intelectual e os tiques provincianos de um certo Porto que julgam conhecer. Na sua arrogância centralista, não conseguem perceber que a falência do capital económico e político do Norte é, a prazo, a falência de um dos esteios da identidade nacional no contexto da Europa das regiões. É também a falência de Lisboa, enquanto capital de um não-país.
Curiosamente, ou talvez não, assistimos hoje na blogosfera a um movimento em contra-corrente de afirmação da matriz idiossincrática portuense. Esta proliferação de blogs materializa um anseio colectivo que corta com a tradicional sociedade civil portuguesa, profundamente egoísta, ensimesmada e abúlica.
A blogosfera é, porém, um fórum de limitado alcance, do qual se econtra excluída uma fracção significativa da população. Malgrado estes gritos serem genuínos e extremamente válidos, urge-nos encontrar novos espaços e, principalmente, espaços mais reverberativos.
Mãos à obra, o Porto merece!


terça-feira, 4 de Maio de 2004

Avenida dos Aliados 

O Hoje Há Tripas dá as boas vindas ao seu novo vizinho na blogosfera. Entrem, estejam à vontade!
Contem com mais um aliado à vossa causa.

segunda-feira, 3 de Maio de 2004

"King Lear" - uma tragédia política portuguesa 

Durão Barroso (no papel de Lear) dirige-se, desgostoso, à sua filha Cordelia (M. Ferreira Leite) e remata com a sua preferência por Regan (Paulo Portas), irmã desta:





Lear - I prithee, daughter, do not make me mad:
I will not trouble thee, my child; farewell:
We'll no more meet, no more see one another:
But yet thou art my flesh, my blood, my daughter;
Or rather a disease that's in my flesh,
Which I must needs call mine: thou art a boil,
A plague-sore, an embossed carbuncle,
In my corrupted blood. But I'll not chide thee;
Let shame come when it will, I do not call it:
I do not bid the thunder-bearer shoot,
Nor tell tales of thee to high-judging Jove:
Mend when thou canst; be better at thy leisure:
I can be patient; I can stay with Regan,
I and my hundred knights.

(William Shakespeare, "King Lear")

segunda-feira, 26 de Abril de 2004

Abril foi só isto, com todos os erres! 

Esta é a madrugada que eu esperava, o dia inicial inteiro e limpo onde emergimos da noite e do silêncio e livres habitamos a substância do tempo.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)



terça-feira, 13 de Abril de 2004

Erro crasso!  

Os rebeldes iraquianos, ainda pouco rodados nisto dos convívios internacionais, não dominam as subtilezas da fisionomia asiática e tomaram por japoneses os civis chineses que raptaram - e que, entretanto, já libertaram.
Este erro, não fosse a prontidão com que o desfizeram, poder-lhes-ia ter custado muito caro. Já se imaginou como seria uma intervenção militar e/ou política chinesa no conflito do Iraque?


Que farás tu, meu Deus, se eu perecer? 

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.


(Rainer Maria Rilke - tradução: Paulo Plínio Abreu)

segunda-feira, 12 de Abril de 2004

Afinal... 

Quando o dr. Mário Soares falou na possibilidade de incluir a via negocial na relação com os terroristas, caiu o Carmo e a Trindade. Ao que julgo saber, os americanos têm mantido intensas negociações com os rebeldes iraquianos e até acordaram recentemente algumas situações de cessar-fogo. Esta nem o Luís Delgado consegue explicar!

terça-feira, 6 de Abril de 2004

Entrevista com o sucessor de Ahmed Yassin 

Nada de novo nesta entrevista, mas restam poucas dúvidas quanto à dimensão do próximo atentado em Israel...

segunda-feira, 5 de Abril de 2004

G.N.R. 

Foi notório que a emboscada no Iraque não surpreendeu ninguém. Também foi notório o desapontamento de alguns jornalistas com a pouca gravidade dos ferimentos dos nossos soldados. Caramba, nem deu para filmar um resgatezinho de avião para Portugal, como o da Maria João Ruela?

quarta-feira, 24 de Março de 2004

Água pública ou água privada? 

Numa fase em que se torna cada vez mais difícil vislumbrar em Portugal uma linha de orientação estratégica para o futuro modelo de Gestão da Água, lá por fora vai-se debatendo o assunto. E os argumentos utilizados são, convenhamos, mais sustentáveis...

segunda-feira, 22 de Março de 2004

Os falcões em voo picado sobre a presa 

Claro que, por definição, uma morte é sempre lamentável.
Esta morte, no entanto, não me choca particularmente pois o Sheikh Ahmed Yassin sempre se afirmou como um fanático entusiasta dos atentados suicidas, o que me leva a pensar que também não daria grande valor à sua própria vida.

Nas palavras de Sharon: "The state of Israel today hit the first and foremost head of Palestinian terrorism. His ideological basis was the murder of Jews and the destruction of Israel".

O principal problema reside no preço deste troféu pessoal de Sharon, que será elevadíssimo e pago muito brevemente por inocentes israelitas.

A espiral de violência no médio oriente ameaça descontrolar-se (ainda mais).

quinta-feira, 18 de Março de 2004

Nostalgia 

... de quando era com "isto" que se ganhavam guerras!




Estações 

As estações de combóios só deviam existir para isto:





Admito, contrariado, que algumas partidas e chegadas de combóios também pudessem ocorrer, mas apenas para coroar estes momentos com os silvos metálicos das carruagens e o ruído difuso da mole humana em movimento pendular.
Tudo o resto está a mais e quem não consegue entender isto (ETA, Al-Qaeda e sucedâneos) encontra-se irremediavelmente apeado da nossa plataforma civilizacional.
Temo que tenham perdido, para sempre, o combóio da civilização.

segunda-feira, 15 de Março de 2004

11 M 

Tenho os olhos e o espírito inundados pelas imagens, pelos relatos e pelos comentários da barbárie.
Quero acreditar que o facto de Portugal parecer agora mais perto da mira terrorista em nada aumentou a repulsa que senti pelo atentado. Mas a verdade é que o casamento no Afeganistão onde foram mortos por bombardeamento (um "engano" da aviação norte-americana) perto de meia centena de convidados não me provocou a mesma indignação. Aliás, já nem sei se foi no Afeganistão ou no Iraque...
Por vezes o óbvio é difícil de aceitar. A vida humana é um valor universal, não é uma contingência geográfica ou política.

segunda-feira, 8 de Março de 2004

Cavaco Silva 

Macacos me mordam se esta digressão nacional para apresentação do segundo volume da autobiografia política não é uma descarada pré-campanha eleitoral!

quinta-feira, 4 de Março de 2004

A estupidez humana retratada de frente 




No melhor pano... 

A Charlotte deixou-se levar pela emoção do momento e afirma, sobre Marc Dutroux, que "o único desejo que tenho é que o homem seja condenado à morte".
Claro que a mesma Charlotte já tinha escrito noutro post que não era "a favor da pena de morte", o que me permite dar-lhe o benefício da dúvida. De qualquer forma, foi uma decepção assitir a um post menos inteligente escrito pela bomba.
A minha posição inabalável perante a pena de morte pode ser consultada mais abaixo, num post de 11 de Janeiro. E não é um belga execrável que me vai desviar dessas convicções.

sábado, 28 de Fevereiro de 2004

Lembra-te 

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

(Mário Cesariny)



domingo, 22 de Fevereiro de 2004

Será que com a candidatura de Cavaco chega o fim da linha de PSL? 




Apoiantes da candidatura presidencial de PSL escutam atentamente o seu líder 



Dúvida na munição a utilizar no ataque presidencial de direita - calibre Cavaco ou Santana? 




sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2004

Ecologia - pensamento …? 

Tendo simultaneamente criado e destruído, nos três posts anteriores, pontes entre a ecologia e algumas correntes ideológicas predominantes (faltaria analisar o marxismo, o liberalismo, o feminismo, o anarquismo e tantas outras), creio que a associação ideológia ao pensamento ecológico não é tão imediata quanto o Observador quer fazer crer e não é, em minha opinião, um exercício que acrescente valor a qualquer das partes do binómio. Apesar disso, devo confessar que a discussão académica do tema é extremamente tentadora e por isso não lhe resisti.
Aos maçados leitores apresento o meu pedido de desculpa e informo que os posts “normais” seguem dentro de momentos.

Ecologia - pensamento socialista? 

Apesar da identificação clara de um adversário comum – a empresa capitalista transnacional – subsiste um materialismo subjacente nas abordagens de esquerda que coloca dificuldades substanciais à integração perfeita do pensamento ecológico e socialista.
A democracia social (pensamento socialista ocidental) visa o desenvolvimento do progresso humano na dupla dimensão material e moral.
O progresso material é assegurado pela manutanção do crescimento económico, sendo o progresso moral obtido por via do encorajamento de deveres e obrigações dentro da ordem social.
Neste âmbito, as desiguladades resultantes da busca de interesses pessoais só são permissíveis se beneficiarem os indíviduos que se encontram na base da hierarquia social, i. e., só através do crescimento é que a pobreza, a miséria e a exclusão social podem ser combatidos.
Esta atitude instrumental em relação às coisas naturais deixou muito pouco espaço para as preocupações ambientais.
Porém, o socialismo ético, retomado após o colapso dos modelos de planeamento estatal do leste europeu, focaliza-se na qualidade de vida de todos os membros da sociedade e atribui o ónus da responsabilidade moral aos Estados, organizações, empresas e indivíduos para fazerem as “escolhas certas” em relação às estratégias de investimento, aos contratos comerciais e ao consumo pessoal, numa clara evolução ideológica que começa a permitir a aproximação ao pensamento ecológico.
Ann Taylor em “Choosing Our Future” conclui que só o socialismo possui a perspectiva internacionalista apropriada para superar as diferenças nacionais e regionais que tendem a bloquear as iniciativas ambientais de largo espectro. O socialismo alargaria a dimensão de comunidade ao ponto de permitir superar as desigualdades globais e resolver problemas comuns.
A ética socialista reconhece a centralização humana como ponto de partida, mas mantém a lembrança permanente da necessidade de prevenir as imperfeições da ainda vigente visão tecnocrática da transformação socialista.
É todavia inquestionável a preocupação socialista pela justiça social aliada à necessidade de um ambiente saudável e seguro onde todos os membros da sociedade possam prosperar.

Ecologia - pensamento neoliberal? 

Os liberais críticos contemporâneos, i. e., os defensores do neoliberalismo, celebram a operação dos sistemas de mercado capitalistas onde os indivíduos, os agregados familiares e as empresas empreendem uma competitividade e uma cooperação, de forma a assegurarem os benefícios do progresso material.
Este crescimento coloca dificuldades significativas - e em última análise intransponíveis - em termos da capacidade do ecossistema fornecer recursos naturais suficientes para satisfazer as necessidades humanas. É impossível o crescimento ilimitado baseado na exploração dos recursos limitados de um planeta.
O liberalismo e as suas atitudes em relação ao ambiente (e. g. comércio de licenças de poluição), baseadas nas concepções lockeanas da propriedade privada, apesar de pontualmente estabelecerem limites efectivos à delapidação de recursos, encerram um antropocentrismo subjacente, que é difícil de conciliar com as coisas não humanas numa perspectiva holística.

Ecologia - pensamento conservador? 

No pensamento conservador, situado à direita do espectro político, surgiu uma alternativa ao domínio das abordagens neoliberais e socialistas relativamente ao ambiente.
O pensamento conservador refuta a tendência para associar o pensamento e a política ecológicos aos movimentos socialistas, preferindo considerar o ponto de vista conservador da Natureza como uma visão forte da forma de se viver em harmonia com o mundo natural. Os conservadores combinam, de forma intuitiva, um respeito pela Natureza com a convicção nas virtudes da propriedade privada.
Ao contrário do pensamento neoliberal, que considera as coisas naturais como simplesmente exploráveis, os conservadores encontram nas coisas naturais parte de uma rede de vida complexa, da qual os seres humanos são apenas uma parcela significativa.
John Gray no seu “Programa para o Conservantismo Ecológico” censura os pensadores de direita por deixarem resignadamente as questões políticas relacionadas com a ecologia nas mãos solícitas da esquerda. E vai mais longe, afirmando que as virtudes e as convicções conservadoras tradicionais se identificam de uma forma muito mais intensa com a teoria ecológica do que as políticas socialistas. O pensamento ecológico parece perder demasiado tempo a criticar os mercados capitalistas e a fechar os olhos às consequências do planeamento estatal.
Outro ponto de comunhão fundamental prende-se com o facto de, quer o pensamento conservador, quer o ecológico, realçarem de forma inequívoca a importância de uma perspectiva multigeracional, em vez do contrato de uma geração.
De igual forma, ambos tentam destruir a relação entre a crença num crescimento infinito e as condições para a prosperidade humana. Ambos acreditam que chegaremos irremediavelmente ao ponto de sermos obrigados a pensar imaginativamente com aquilo que temos.
O pensamento conservador consegue, de uma forma que não está ao alcance de nenhuma outra ideologia política, estar claramente consciente da importância do reconhecimento da complexidade, do risco e da incerteza, que constituem factores incontornáveis para a percepção da problemática ecológica.


"O poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos, mas do branco que fica no papel."
(Paul Claudel)

A Nova Esquerda 

Li aqui algumas considerações sobre o que será a Nova Esquerda. Apeteceu-me, desde a primeira linha (aliás, desde o título do post), dar réplica ao esforçado mas pouco sucedido escriba. Admito que por falta de tempo e excesso de argumentos limito-me a linká-lo. Contudo, tomo nota imediata do seguinte excerto, que vai merecer em tempo oportuno uma réplica no HHT.

"De igual forma se explica porque a grande maioria dos movimentos "Verdes" são de esquerda. Na verdade, estes movimentos ditos ecológicos, não se preocupam o suficiente com o meio ambiente. Pretendem apenas um ambiente à sua maneira, com as prioridades pré-definidas e não determinadas pelo indivíduo. Qualquer pessoa consegue provar que um meio ambiente saudável é essencial ao bem estar e desenvolvimento económico. Da mesma forma, qualquer economista consegue demonstrar como tiramos proveito de uma política ecológica capaz. Não é preciso ser de esquerda para defender a floresta e acreditar na limpeza dos rios e dos mares."

De facto, a maioria dos movimentos ecologistas está situada à esquerda, mas os motivos não são os apontados pelo Observador. Na realidade, o seu lugar natural poderá ser, como futuramente tentarei explicar, à direita ou à esquerda, sem que isso represente qualquer contradição ideológica.

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2004

Urbaneye Project 

Nestes tempos orwellianos é imprescindível dar uma espreitadela ao que se vai fazendo no âmbito do Urbaneye Project.
Este projecto de investigação comparativa analisa a utilização de CCTV (circuitos fechados de televisão) em espaços públicos na Europa e tem por objectivo avaliar os seus efeitos sociais e políticos por forma a delinear estratégias para a sua regulação.
A equipa de trabalho é constituída por elementos de 7 países e inclui criminologistas, filósofos, cientistas políticos, sociólogos e geógrafos urbanos.

domingo, 8 de Fevereiro de 2004

Rembrandt van Rijn – “The syndics of the drapers’ guild” 

Nesta pintura famosíssima e absolutamente notável, Rembrandt junta as seis personagens (os cinco síndicos e o assistente) em redor de uma mesa, com o objectivo de contornar a formalidade típica nestes retratos.
O extraordinário pormenor de génio encontra-se, porém, no segundo síndico a contar da esquerda, prestes a levantar-se, evitando assim a indesejável representação dos cinco chapéus em linha!
Uma vez que a pintura se destinava a ser pendurada numa parede a grande altura, Rembrandt adaptou a perspectiva para esse fim, sendo notório que estamos a olhar para a mesa a partir de um plano inferior.





Anton Mauve – “Morning ride along the beach” 

Cavaleiros passeiam calmamente pela praia de Scheveningen, a estância balnear situada às portas de Haia. Mauve recria na perfeição a atmosfera de um dia de Verão, com as sombras curtas, a areia solta, o calor e os espaços abertos.
Os sulcos de rodas conduzem a nossa vista até aos cavaleiros e, de seguida, até às figuras minúsculas perto do mar.
Pormenor curioso: um dos antigos proprietários desta pintura “apagou” os excrementos de cavalo na areia, por considerar que estes não eram apropriados. Aquando do restauro do quadro, os excrementos reapareceram.





quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2004

Rembrandt van Rijn- "The Nightwatch" 

Continuo a "postar" as minhas obras de eleição no Rijksmuseum.
A tela da "Ronda da Noite" tem a particularidade de ter sido mutilada no séc. XVIII, por forma a caber numa parede de um edifício público. Este acto tresloucado levou ao "desaparecimento" de três personagens no lado esquerdo da tela...
A versão integral da tela é conhecida através de uma providencial réplica em miniatura, realizada antes da mutilação e que, apesar da fraca qualidade, tem hoje o privilégio de partilhar com a tela original uma das paredes do Rijksmuseum.





segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2004

Johannes Vermeer - "The kitchen maid" 

Há neste quadro pormenores que, infelizmente, a blogosfera não permite partilhar. Mas aqui fica o lembrete para uma próxima viagem a Amsterdam. Minha ou vossa.




Ainda há paciência?! 




segunda-feira, 26 de Janeiro de 2004

Porque o amor fica sempre aquém da sua própria morte 

O enorme defeito nos falhados - e a enorme vantagem nos bem sucedidos - é que os amores nunca morrem. Mesmo quando achamos que sim. Na verdade, limitamo-nos a esquecê-los de forma mais ou menos voluntária, mais ou menos consciente.
Alguns, esforçamo-nos de tal maneira para esquecer que acabamos por nos convencer de que morreram. Outros, mais desejados, adormecem-nos nos braços enquanto os embalamos e nunca mais nos lembramos de os acordar.

domingo, 18 de Janeiro de 2004

Portugal e a cauda da Europa – um namoro recente ou uma paixão ancestral? 

A decisão do alargamento a leste da União Europeia suscitou entre os portugueses um conjunto de inquietações. Porém, uma das poucas “vantagens” identificáveis neste alargamento parece consensual – Portugal deixa, de uma assentada, a incómoda posição da cauda europeia e ainda por cima sem mexer uma palha.
Ou seja, não interessa que mantenhamos o desempenho medíocre de sempre em quase todos os indicadores económicos, ambientais, culturais e sociais, desde que vão aderindo ao clube europeu novos países com desempenhos ainda piores do que o nosso. Delirante!
Naturalmente, qualquer português minimamente esclarecido consegue desde já adivinhar o rápido regresso de Portugal à caudal posição. O mesmo adivinhou Eça que, em Janeiro de 1872, já ia dizendo que “nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência do espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país caótico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa – citam-se, a par, a Grécia e Portugal.”
Nem ele imaginaria que a Grécia já há muito nos ultrapassou e que os países agora arregimentados para esta Europa o farão em muito pouco tempo.

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2004

Já passaram 12 anos e cada vez estamos mais na mesma 

Coimbra, 4 de Junho de 1992 - Conferência internacional no Rio de Janeiro para defesa do ambiente físico. Do metafísico já ninguém cuida. E, do outro, mais valia que os delegados, em vez de discursos sujos, lavassem a hipocrisia nas águas ainda lustrais de Guanabara. O mundo está irremediavelmente perdido, porque é incorrigível a voracidade capitalista e a nossa obstinação consumista. Queremos, queremos, queremos. E os abnegados senhores do progresso fabricam, fabricam. Saturam, diligentes, os mercados do útil e do inútil. Atravancam o planeta das suas sedutoras mercadorias. Para tanto, esventram-no, derrubam-lhe as florestas, empestam-lhe os rios, os mares e os ares. Poucos dos que assistem ao colóquio estão ali de boa fé ou em nome dela. Quando a farsa terminar, nenhum petroleiro vai recolher ao estaleiro, nenhum alto forno deixará de arder, nenhum motor de rodar.
Contemporâneos passivos de uma civilização técnica e industrial, que nos serve o necessário poluído e o supérfluo esterilizado, já nem sequer nos indignamos de a ver acabar assim, pletórica e podre. Sornamente, vamos vegetando intoxicados, na esperança secreta de que o dilúvio não acontecerá na nossa vida, e, se acontecer, haverá sempre na Arca de salvação lugar para mais um.

(Miguel Torga, "DIÁRIO XVI")

terça-feira, 13 de Janeiro de 2004

Porque  

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

(Sophia de Mello Breyner Andresen, "Mar Novo", 1958)

domingo, 11 de Janeiro de 2004

Há "iludências" que "aparudem" 

Recomendam-me a visita a um blogue cujo título me lembra imediatamente um infeliz pregão mouricida muito em voga há poucos anos atrás. Acto contínuo, imagino um "blogue-trincheira" de irredutíveis nortenhos a destilar ódios coevos contra a capital. Ainda assim, arrisco uma visita e a surpresa não podia ser maior.
Afinal trata-se, nas palavras dos próprios, de um "Observatório da política de libertinagem de Pedro Santana Lopes enquanto Presidente da C. M. de Lisboa"...
Seguindo a mesma linha editorial destes colegas, urge a criação do blogue "Porto A Arder".

Avanços 

A assinatura pela Turquia do protocolo número 13 da Convenção Europeia de Direitos Humanos relativo à abolição da pena de morte "em todas as circunstâncias", mesmo por "actos cometidos em tempo de guerra ou de perigo iminente de guerra" configura um avanço civilizacional que, apesar de pecar por tardio e ser motivado por interesses de economia política, merece o aplauso de um país pioneiro no abolicionismo como foi Portugal.
A inqualificável desumanidade da pena de morte apenas pode encontrar eco em regimes fundados em concepções perversas do valor supremo da vida humana. Esta autêntica aberração civilizacional que coloca ao mesmo nível de vergonha realidades (aparentemente) tão distintas quanto a norte-americana, a chinesa ou a cubana, constitui ainda um crime chocante à luz do ordenamento jurídico de qualquer Estado realmente civilizado, por não permitir aos condenados o exercício efectivo do direito de defesa, incluindo o direito de recurso.
O respeito absoluto pela pessoa humana é o primeiro postulado do direito, ao qual também os Estados se encontram submetidos. Nos países onde tal não acontece, o direito constitui apenas um instrumento execrável de terror, utilizado na legitimação dos mais hediondos crimes de Estado.

quinta-feira, 8 de Janeiro de 2004

"Life imitating Blog" 

A descoberta recente dos meus dotes premonitórios força-me a uma pausa deliberada na escrita de "posts".
No fundo, a questão resume-se a um profundo receio de que a realidade volte a imitar aquilo que escrevo.

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2004

Portuense assume-se como concorrente directo da astróloga Maya! 

O meu "post" de 31 de Dezembro queria ser irónico e acabou por ser tragicamente premonitório. Apenas errei na troca de um ex-PR por um PR em exercício e fui longe de mais no envolvimento de um ex-PM.
Algo me diz que, tal como na política, também na blogosfera não é vantajoso ter razão antes de tempo.
Para não irritar ainda mais o senhor Procurador Geral da República, afirmo solenemente que as minhas afirmações de 31 de Dezembro não configuram nenhuma violação do segredo de justiça. Trata-se apenas de um inocente "exercício divinatório sobre o segredo de justiça".
Fazemos orçamentos grátis, vamos a casa!

quarta-feira, 31 de Dezembro de 2003

O processo Casa Pia e a Comunicação Social 




Jurista de bancada 

Com ou sem razão (aguardemos pelos próximos episódios), o Ministério Público deu ontem a estocada final no já agonizante Partido Socialista.
Nesta fase do campeonato, a opinião pública já pouco estranharia a notícia do alegado envolvimento de António Guterres, Mário Soares ou António Vitorino neste caso sórdido.
Convém, portanto, ter presente que a lama que foi atirada pela comunicação social para cima do secretário-geral e de um membro da Comissão Política (e putativo candidato presidencial) nunca será completamente limpa ainda que venha a ser provada a sua inocência.
Por outro lado, se os factos apurados pelo Ministério Público se revelarem verdadeiros, será reconfortante saber que a Justiça foi cega no que respeita ao prestígio/poder/estatuto das personalidades envolvidas.
Em suma, para além da culpa dos arguidos, este julgamento vai servir para avaliar o funcionamento do Ministério Público - que tem vindo a ser duramente criticado pelos vários agentes da Justiça.

terça-feira, 30 de Dezembro de 2003

Continuação de bom apetite 




Um desejo para 2003 



segunda-feira, 29 de Dezembro de 2003

É inevitável 

... escrever até quarta-feira algum título que comece com "O melhor"/"O pior" e acabe com "de 2003"?
A avaliar pelos ilustres vizinhos de blogosfera deve ser missão quase impossível, mas o HHT tentará resistir.

Nem 8 nem 80 

Ferro tem seguido à risca a máxima napoleónica de "nunca interromper o inimigo enquanto este estiver a cometer um erro", mas começa a aproximar-se perigosamente do exagero...
Com as perspectivas sombrias que o Governo apresentou para 2004, exige-se ao principal líder da Oposição mais algum dinamismo na denúncia de tamanha incompetência.
O próprio Napoleão teria feito o mesmo.

Será por isto a blogosfera? 

"Escrevemos porque ninguém nos ouve."
(Georges Perros)

Máquinas 

O novo estádio municipal de Braga é, indiscutivelmente, uma admirável obra de engenharia. É também certo que foi o que representou o maior custo por cadeira.
Mas para além de um e de outro aspecto, ao olhar para a obra, algo me recorda, por antítese, Le Corbusier.
Este afirmava que "uma casa é uma máquina de morar". Seguindo o mesmo raciocínio, "um estádio é uma máquina de jogar e de ver jogar". Assim sendo, aquelas duas superiores graníticas, sem bancadas, são esteticamente agradáveis mas não cumprem definitivamente a função da obra.

domingo, 28 de Dezembro de 2003

(In)dependências 

O fosso entre a opinião pública e a opinião publicada cresceu, indesejavelmente, em 2003.
Ninguém acredita que o país se identifica maioritariamente com as omnipresentes opiniões de Rebelos, Pachecos, Santanas e Delgados. A vitória tangencial da direita nas últimas eleições legislativas foi ampliada de forma violentíssima no realinhamento ideológico da comunicação social, provocando um divórcio incontornável entre a opinião pública e a opinião publicada.

sábado, 27 de Dezembro de 2003

Prémio "Vão começar pelos azulejos ou pelos móveis?" 

"Queremos levar o balneário das Antas para o Dragão."
(Jorge Costa, "O Jogo")

Como se passa uma esponja sobre o futuro? 

Sinto-me sempre perdido com os "momentos em contra-ciclo".
Momentos em que se é feliz por quase nada quando se perdeu quase tudo.

O paradoxo da passagem de ano 2003-2004 

O riso e o choro...

Nunca como este ano houve tantos motivos para festejar a despedida do ano que finda.
Nunca como este ano houve tantos motivos para lamentar o ano que começa.

quarta-feira, 24 de Dezembro de 2003

O Porto é só... 

O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde,
forrar-me de silêncio
e procurar trazer à tona algumas palavras
sem outro fito
que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros
a insurreição do olhar.

O Porto é só esta atenção empenhada
em escutar os passos dos velhos
que a certas horas atravessam a rua
para passarem os dias no café em frente
os olhos vazios,
as lágrimas das crianças de S. Vítor
correndo nos sulcos da sua melancolia.

O Porto é só a pequena praça
onde há tantos anos aprendo metodicamente
a ser árvore
procurando assim parecer-me com a terra obscura
do meu próprio rosto.

Desentendido de ansiedade
olho na palma da mão
os resíduos da juventude
e dessa paixão sem regra
deixarei aqui uma pétala
pois aqui por ser tão branca.

(Eugénio de Andrade)


Este era o poema que faltava num blogue com paternidade Portuense. Agora que está definido o espaço afectivo que enforma estas linhas, parto para a ceia de Natal com a certeza de já ter aberto um presente.

He Wishes for the Cloths of Heaven 

Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

(William B. Yeats)

terça-feira, 23 de Dezembro de 2003

O Fundo 

Insólitos prognósticos do Governo para 2004. A economia afinal só descolará em 2005 (se tudo correr bem) e o próximo ano assistirá ao aumento do número de desempregados...
Após meses intermináveis a afirmar que o País batera no fundo após a governação socialista, eis que se anuncia o impensável!
Afinal escavou-se mais um bocadinho o fundo da crise e este passou a estar a uma cota ainda mais baixa.
Barroso imita Júlio Verne e tenta a "Viagem ao Centro da Terra".

Never Give All The Heart  

Never give all the heart, for love
Will hardly seem worth thinking of
To passionate women if it seem
Certain, and they never dream
That it fades out from kiss to kiss;
For everything that's lovely is
But a brief, dreamy. Kind delight.
O never give the heart outright,
For they, for all smooth lips can say,
Have given their hearts up to the play.
And who could play it well enough
If deaf and dumb and blind with love?
He that made this knows all the cost,
For he gave all his heart and lost.

(William B. Yeats, "In the Seven Woods")



terça-feira, 16 de Dezembro de 2003

Prémio "As potencialidades dos polímeros" 

Na sua visita-relâmpago a Bagdade, o presidente Bush ofereceu uma generosa bandeja de perú aos seus homens. A ave, afinal, era de plástico.

Apanharam-no mesmo? 

O homem das barbas que em meados de Dezembro fez a capa de quase todos os jornais do mundo não é, ao que tudo indica, o Pai Natal.
Cientistas americanos, com base em testes de ADN, afirmam tratar-se de Saddam Hussein. É contudo desejável que esses testes não tenham sido efectuados pelos mesmos cientistas que tinham provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque... Nesse caso, poder-se-á tratar realmente do Pai Natal!

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2003

É inegável 

A política nos Açores anda a reboque da política no continente. Até na pedofilia!

terça-feira, 9 de Dezembro de 2003

Prémio “A vantagem de ter um presidente ex-KGB” 

O partido de Putin, “Rússia Unida”, assegura a maioria na Duma sob um clima de fortes suspeitas de fraude eleitoral.

quinta-feira, 4 de Dezembro de 2003

Papel usado: não recicle, reutilize! 

Numa fase de acesa polémica sobre o destino da PORTUCEL, esta nova engenhoca pode vir a distorcer algumas das contas que foram feitas sobre o futuro do sector.

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2003

"German cannibal says victim was willing" 

Ora aqui está uma linha argumentativa que a defesa ainda não explorou no Processo da Casa Pia. Seria algo do género:
"Meretíssimo Juiz, o meu constituinte afirma convictamente e sob palavra de honra que todas as vítimas de pedofilia, sem excepção, pediram para ser violadas."

"Hans Eichel aponta Portugal como exemplo a não seguir" 

Aposto que a Ministra das Finanças nem queria acreditar nos seus olhos quando leu esta notícia. Até tu "Brutus"?

Maquiavel escreve sobre... O ENQUADRAMENTO POLÍTICO DE PAULO PORTAS NO EXECUTIVO BARROSISTA 

(...) para que um príncipe possa conhecer o ministro, há um meio que nunca falha. Quando o príncipe veja que o ministro pensa mais em si do que nele, e que em todas as acções procura a utilidade própria, verificará assim que nunca será bom ministro e que nunca se poderá fiar nele. (...) E, por outro lado, o príncipe, para o conservar bom, deve pensar no ministro, honrá-lo, enriquecê-lo, torná-lo obrigado, dando-lhe participação nas honras e nos cargos, a fim de que veja que não pode passar sem ele, príncipe, e que as muitas honrarias façam que não deseje mais riquezas, e que os muitos cargos lhe façam temer quaisquer mudanças. Quando então os ministros, e os príncipes por relação aos ministros, são assim constituídos, podem confiar um no outro; e quando as coisas se passam diversamente, sempre o fim será danoso ou para um ou para outro.
(Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”)

Maquiavel escreve sobre... AS OBSESSÕES PESSOAIS DE PEDRO SANTANA LOPES 

Nada traz tanta estima a um príncipe, como as grandes empresas e o dar de si exemplos raros no que respeita ao governo das coisas internas (...) quando a ocasião se lhe depare na vida civil de que cometa algum acto extraordinário no bem ou no mal; e ajuda adoptar uma forma de premiar ou punir de que bastante se tenha de falar. E sobretudo deve um príncipe esforçar-se por adquirir em todas as suas acções, fama de homem grande e excelente. (...) Deve, ainda, mostrar-se um príncipe amador das virtudes, e honrar os que primam numa arte. (...) Deve, além disso, nas fases convenientes do ano, manter ocupados os povos com festas e espectáculos. E porque toda a cidade está dividida em corporações ou em classes, deve ter em conta essas comunidades, reunir-se com elas alguma vez, dar de si exemplos de humanidade e munificência, conservando sempre firme, não obstante, a majestade da sua dignidade, porque isto não deve faltar em coisa alguma.
(Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”)

sexta-feira, 28 de Novembro de 2003

America's Cup 

Quando soube da vitória de Valência fiquei triste. Pela nossa derrota, bem entendido. A vitória deles foi, por certo, merecida e realmente fundamentada.
Mas passou-me rapidamente a tristeza quando soube que Santana Lopes, afinal, se sentia aliviado com a decisão e que tinha menos uma dor de cabeça!
Se PSL, que é o presidente da Câmara de Lisboa, diz que se sente melhor com este veredicto, quem julgo eu que sou para achar que a decisão não foi boa para nós?

Ainda sobre o "penetra" do jantar iraquiano 

Bush afirmou que a América tem os olhos postos naqueles homens, mas esqueceu-se de um detalhe.
Alguns do que assistiram ao seu discurso não voltarão a pôr os olhos na América.

Adivinha quem vem jantar 

A aparição de Bush em Bagdade foi tão inesperada que os comentadores, apanhados desprevenidos, ainda hesitam entre a atribuição do rótulo de herói ou de palhaço. A mesma dúvida deve ter tido o departamento de marketing da Casa Branca quando começou a pensar nesta poção para inverter a tendência de queda imparável nas sondagens.
Mas o importante é que a moral das tropas foi galvanizada pela visita. Até quando? Até hoje ou amanhã, quando for assassinado mais um "proud american soldier".

quarta-feira, 26 de Novembro de 2003

Falta menos de meia hora 

A decisão sobre o local de realização da America's Cup está a 30 minutos e alguns milhares de quilómetros de distância. Depois da histeria repartida entre as candidaturas de Lisboa e Valência, tinha alguma piada ver Marselha ou Nápoles a vencer. De qualquer forma, segundo alguns cronistas lusos, a vitória de qualquer outra cidade que não seja Lisboa, ficar-se-ia sempre a dever aos protestos dos pescadores. É este o "saber perder" dos portugueses: ou partimos o balneário ou culpamos os pescadores! Por estes últimos, espero mesmo que Lisboa ganhe e que assim fujam ao rótulo anti-patriótico.

terça-feira, 25 de Novembro de 2003

A confirmação 

The head of the US Central Command, General John Abizaid, said America's military presence "will no longer be needed" once the future Iraqi government can guarantee the country's security. (AFP)
Para quem tinha dúvidas, aqui está a prova que faltava. Os militares dos EUA nunca abandonarão o Iraque!

segunda-feira, 24 de Novembro de 2003

Sharon recebe Fini 

Estas aFinidades já não me surpreendem, mas confesso que esperava mais do proverbial talento negocial semita. De facto, abraçar um neo-fascista admirador de Mussolini (que, como é sabido, não morria de amores pelos judeus) em troca do apoio italiano na construção do muro representa, no mínimo, um mau negócio.


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